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Guia da Saúde

Febre: o que pode ser e quando se preocupar

Copo de água, comprimidos e termômetro sobre uma mesa clara iluminada por luz natural

Febre é o aumento da temperatura corporal acima dos valores normais, geralmente como resposta do corpo a uma infecção. No Brasil, o ponto de corte usado é a temperatura axilar acima de 37,3°C, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Na maioria dos casos, é sinal de que o sistema imunológico está agindo contra vírus ou bactérias — não é, por si só, uma doença.

Como a febre é definida

A temperatura corporal normal varia ao longo do dia e depende de onde é medida. As faixas consideradas febre mudam conforme o local de aferição:

Local de mediçãoConsiderado febre
Axilaracima de 37,2 a 37,3°C
Oralacima de 37,5 a 37,8°C
Retalacima de 38 a 38,3°C
Auricular (timpânica)acima de 37,8 a 38°C

No Brasil e em muitos outros países, a temperatura axilar acima de 37,3°C é o critério mais usado na prática, medida com termômetro digital.

Por que o corpo produz febre

A febre é uma resposta orgânica a agentes chamados pirógenos, que podem ser infecciosos (vírus, bactérias, fungos) ou não infecciosos (reações inflamatórias, reabsorção de hematomas, entre outras). Esses agentes ativam o “centro termorregulador” no cérebro, que eleva o ponto de ajuste da temperatura corporal. Dentro de certos limites, essa elevação acelera a atividade das células de defesa do organismo — por isso a febre, moderada, é parte do mecanismo de defesa, não apenas um incômodo a ser eliminado.

Principais causas de febre

  • Infecções virais, como gripe, resfriado e outras viroses — a causa mais comum no dia a dia.
  • Infecções bacterianas, como otite, amigdalite, pneumonia e infecções urinárias.
  • Reações pós-vacinais, geralmente febre baixa e de curta duração.
  • Processos inflamatórios não infecciosos, mais raros como causa isolada.

Na maioria dos casos, principalmente em crianças, a febre acompanha uma infecção aguda autolimitada, que resolve sozinha em poucos dias.

Febre não é sinônimo de gravidade

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, não existem evidências de que a magnitude da temperatura, isoladamente, indique gravidade ou o tipo de infecção — exceto em bebês menores de 3 meses, grupo que exige avaliação médica prioritária independentemente da intensidade da febre. O que importa mais é o conjunto de sinais: como a pessoa está se comportando, se está hidratada, ativa e responsiva, não apenas o número exato no termômetro.

Febre x hipertermia: qual a diferença

Os dois quadros parecem iguais no termômetro, mas têm mecanismos opostos:

FebreHipertermia
CausaCorpo eleva o próprio ponto de ajuste (geralmente infecção)Corpo não consegue perder calor ou produz calor demais (calor ambiente, exercício intenso)
PeleExtremidades frias, sem sudorese, calafriosExtremidades quentes, sudorese intensa
Resposta a antitérmicoCostuma responderNão responde — precisa de resfriamento físico

Essa distinção importa porque hipertermia (definida como temperatura central igual ou superior a 40°C associada a alterações neurológicas) é uma emergência que exige resfriamento físico imediato, diferente da febre comum.

O que fazer diante de febre

  1. Observar o estado geral, não só o termômetro — atividade, hidratação e resposta a estímulos.
  2. Usar antitérmico se houver desconforto evidente (choro, irritabilidade, mal-estar), não por um número fixo de temperatura.
  3. Manter boa hidratação.
  4. Evitar excesso de roupas ou cobertores.
  5. Não intercalar diferentes antitérmicos sem orientação médica — a prática é comum, mas não tem respaldo científico e aumenta o risco de erro de dosagem.

Quando procurar atendimento médico

Busque avaliação médica diante de:

  • Febre em bebês menores de 3 meses, sempre prioritária
  • Febre que persiste por mais de 2 a 3 dias sem causa aparente
  • Febre acompanhada de prostração, sonolência incomum ou irritabilidade intensa
  • Manchas na pele, rigidez de nuca ou dificuldade para respirar
  • Convulsão

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Veja os cuidados específicos em febre em bebê: o que fazer, febre alta em criança: quando se preocupar e febre baixa constante: causas.

Perguntas frequentes

A partir de que temperatura é considerado febre?

No Brasil, febre é definida como temperatura axilar acima de 37,3°C, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Em outros locais de medição, o ponto de corte muda: acima de 37,5-37,8°C na medida oral e acima de 38-38,3°C na retal.

Febre é uma doença?

Não. Febre é um sinal — a resposta do corpo a uma agressão, geralmente uma infecção, não uma doença em si. O foco deve ser entender a causa, não apenas baixar o número no termômetro.

Febre alta é sempre mais grave que febre baixa?

Não necessariamente. Não existem evidências de que a intensidade da febre, isoladamente, indique gravidade ou o tipo de infecção (viral ou bacteriana), exceto em bebês menores de 3 meses.

Preciso baixar a febre imediatamente?

Não. O uso de antitérmico deve ser guiado pelo desconforto da pessoa (choro, irritabilidade, mal-estar), não por um valor fixo de temperatura no termômetro.

Febre e hipertermia são a mesma coisa?

Não. A febre é uma elevação regulada da temperatura pelo próprio corpo, geralmente por infecção. A hipertermia acontece quando o corpo não consegue perder calor (excesso de roupa, calor ambiente) ou produz calor demais (exercício intenso), sem relação com infecção.

Fontes

  1. Manejo da Febre Aguda — Documento Científico, Sociedade Brasileira de Pediatria (2021)

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 18 de julho de 2026