Elevação pélvica (hip thrust): como fazer e músculos
Na elevação pélvica, o quadril termina o movimento estendido — e é aí que o glúteo trabalha mais. Com carga estimada de 10RM, Contreras e colegas (2015) mediram 69,5% da contração máxima no glúteo máximo superior contra 29,4% no agachamento; no glúteo inferior, o exercício chegou a 86,8%. O motor é o glúteo máximo.
Como fazer a elevação pélvica passo a passo
- Sente no chão de costas para um banco de aproximadamente 40 cm (16 polegadas) — a altura usada no protocolo de 2015 — e apoie a parte alta das costas na borda.
- Posicione os pés um pouco além da largura dos ombros, com as pontas apontando para a frente ou levemente para fora.
- Apoie a barra sobre o quadril, sempre com um pad grosso entre a barra e o osso.
- Empurre o quadril para cima até a extensão completa, mantendo coluna e pelve neutras — foi a instrução dada aos participantes do estudo.
- Desça de forma controlada — o protocolo não fixou ritmo, para ficar parecido com o treino real.
Músculos trabalhados
O glúteo máximo é o motor, e o estudo mediu as duas porções separadamente: 69,5% (superior) e 86,8% (inferior) de média com 10RM. O bíceps femoral acompanha, com 40,8% contra 14,9% do agachamento. A surpresa foi o vasto lateral: 99,5% aqui e 110% no agachamento, sem diferença estatística — resultado que os próprios autores chamaram de inesperado. Na classificação da NSCA, é uma extensão horizontal de quadril: treina o glúteo na posição encurtada, no topo.
Erros comuns
- Parar antes do bloqueio do quadril. Na sustentação isométrica de 3 s em extensão completa, o glúteo superior marcou 87,1% e o inferior 115,7% — os maiores valores de todo o estudo.
- Perder a posição neutra de coluna e pelve para ganhar amplitude no topo.
- Dispensar o pad da barra sobre o quadril.
- Transferir os números para outra montagem. Eles foram medidos com barra, banco de 40 cm e carga de ~75% de 1RM, em 13 mulheres treinadas; não valem para a versão no chão nem para cargas muito diferentes.
Variações e alternativas
A versão sem banco e sem barra é a ponte de glúteo, do mesmo padrão thrust/bridge; o coice no cabo é a opção em pé. O documento da NSCA cita um estudo de 10 semanas com 33 mulheres não treinadas em que somar a elevação pélvica ao leg press 45° e ao stiff fez diferença no tamanho do glúteo máximo — combinar com padrões verticais, como o agachamento livre, é a lógica do texto. O guia de exercícios para glúteos reúne os quatro padrões e a calculadora de volume semanal ajuda a distribuir as séries.
Perguntas frequentes
Elevação pélvica e hip thrust são o mesmo exercício?
São. Hip thrust é o nome em inglês, e o exercício entrou na literatura científica em 2011, num artigo de Contreras, Cronin e Schoenfeld na revista da NSCA. É esse texto que o estudo de EMG de 2015 cita como referência de técnica.
Que altura de banco a pesquisa usou?
Aproximadamente 16 polegadas, cerca de 40 cm, com a parte alta das costas apoiada na borda. Não é uma altura 'certa' universal: é a que foi padronizada no protocolo, e os valores de ativação medidos valem para essa montagem.
Esses percentuais valem para qualquer carga?
Não. Os próprios autores registram a limitação: as cargas eram de cerca de 75% de 1RM (10RM), a amostra tinha 13 mulheres treinadas e a relação entre carga e ativação ainda não foi estabelecida na elevação pélvica. Com outra carga, outro público ou outra montagem, os números podem mudar.
Dá para fazer sem barra?
O catálogo de exercícios da NSCA lista, além da versão com barra, a elevação pélvica unilateral com halter. O estudo de EMG citado aqui testou apenas a versão bilateral com barra, então os percentuais dele não podem ser transferidos para a variação com uma perna.
Quantos padrões de exercício de glúteo existem?
O documento da NSCA sobre programação para glúteos organiza o treino em quatro padrões: thrust/bridge, squat/lunge, hinge/pull e abdução. A elevação pélvica é o exemplo principal do primeiro, e o texto recomenda que uma a duas escolhas da sessão sejam unilaterais.
Fontes
- Contreras B, Vigotsky AD, Schoenfeld BJ, Beardsley C, Cronin J — A Comparison of Gluteus Maximus, Biceps Femoris, and Vastus Lateralis Electromyographic Activity in the Back Squat and Barbell Hip Thrust Exercises, Journal of Applied Biomechanics 31(6): 452-458, 2015: protocolo (banco de ~16 polegadas, pés um pouco além da largura dos ombros, carga de 10RM em 13 mulheres treinadas) e os valores de EMG usados nesta página — glúteo superior 69,5% × 29,4%, glúteo inferior 86,8%, bíceps femoral 40,8% × 14,9%, vasto lateral sem diferença; o autor principal declara ser o titular da patente do aparelho Hip Thruster
- Contreras B, Cronin J, Schoenfeld B — Barbell Hip Thrust, NSCA Strength and Conditioning Journal 33(5): 58-61, 2011: artigo que introduziu o exercício na literatura e cuja técnica foi seguida no protocolo de 2015 (texto de acesso pago; usado aqui apenas pelo que o estudo de 2015 descreve dele)
- NSCA PTQ 10.4.4 — Program Design Considerations for Optimal Strength and Hypertrophy of the Glute Muscles: classificação da elevação pélvica como extensão horizontal de quadril (padrão thrust/bridge), que treina as porções superior e inferior do glúteo máximo em posição encurtada e gera menos fadiga e dor tardia que os padrões verticais; cita o estudo de 10 semanas com 33 mulheres não treinadas
- NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed. (Human Kinetics): o catálogo de exercícios da associação traz o barbell hip thrust e também a versão unilateral com halter
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026