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Guia da Saúde

Remada alta: como fazer, músculos e largura da pegada

Na remada alta, a largura da pegada muda o músculo que trabalha: com a pegada larga — o dobro da distância entre os ombros — deltoide e trapézio mostraram mais atividade elétrica, e o bíceps menos, em 16 homens treinados medidos por McAllister e colegas (2013). É um puxar vertical com a barra subindo à frente do corpo.

Como fazer a remada alta passo a passo

  1. Em pé, segure a barra com pegada pronada (palmas voltadas para trás). A referência do estudo é a distância entre os acrômios: 100% dessa medida é a pegada intermediária, 50% é a fechada e 200% é a larga.
  2. Deixe os braços estendidos, a barra à frente das coxas e o tronco ereto.
  3. Puxe a barra para cima junto ao corpo. No protocolo do estudo, os participantes foram instruídos a não passar da altura do processo xifoide (base do esterno), para o úmero não subir acima da horizontal.
  4. Mantenha o tronco parado: o protocolo proibia flexão e extensão lombar acentuadas, porque isso recruta o eretor da espinha e dá vantagem mecânica ao movimento.
  5. Desça controlando. Foi na fase excêntrica que apareceu o maior número de diferenças entre as pegadas.

Músculos trabalhados

Na subida, aumentaram significativamente com a pegada mais larga o deltoide lateral e o deltoide posterior; o deltoide anterior praticamente não mudou. Na descida, a diferença apareceu em mais músculos: deltoide anterior, deltoide lateral, trapézio superior, trapézio médio — todos maiores com a pegada larga — e o bíceps braquial, que foi o único a diminuir. A leitura dos autores é que os padrões de recrutamento não são os mesmos nas duas fases do movimento, e a recomendação prática do artigo é direta: quem quer envolver mais deltoide e trapézio deve usar pegada larga.

Erros comuns

  • Subir a barra acima do peito. O estudo limitou a altura ao processo xifoide justamente para o braço não passar da horizontal; quem sobe até o queixo está fora do que foi medido.
  • Dar impulso com a lombar. Flexão e extensão de tronco foram proibidas no protocolo porque transferem parte do trabalho para o eretor da espinha.
  • Tratar a pegada como detalhe. É a variável que o estudo isolou, com a carga mantida igual.
  • Soltar a barra na descida. Boa parte das diferenças entre pegadas apareceu na fase excêntrica.

Variações e alternativas

A variação com halteres não foi testada nesse estudo — os autores a apontam como pesquisa pendente, porque o halter permite ao braço percorrer um arco. Para trabalhar o deltoide lateral sem o componente de flexão de cotovelo, a elevação lateral é o exercício vizinho; para o padrão de empurrar acima da cabeça, veja o desenvolvimento militar. O guia de exercícios para ombros reúne o grupo inteiro, e o guia de exercícios para costas cobre as remadas horizontais.

Os valores desta página são atividade elétrica relativa (EMG de superfície) com barra, medida em 16 homens com pelo menos 3 anos de treino, sob uma única carga para as três pegadas — os próprios autores citam essa carga fixa como limitação. Atividade elétrica não é sinônimo de ganho de músculo.

Perguntas frequentes

Qual foi a largura exata das pegadas testadas na remada alta?

As pegadas não foram fixadas em centímetros iguais para todos: elas foram calculadas a partir da distância entre os acrômios (largura biacromial) de cada participante, em 50%, 100% e 200% dessa medida. Como a média do grupo era 34,3 cm, a pegada larga ficava em torno de 69 cm entre as mãos e a fechada em torno de 17 cm.

A pegada fechada na remada alta serve para alguma coisa?

Ela desloca esforço para o bíceps braquial: na fase de descida, a atividade do bíceps foi significativamente maior com a pegada de 50% da largura biacromial do que com a de 200%. Os autores atribuem isso ao maior grau de flexão de cotovelo na pegada estreita. Para deltoide e trapézio, a pegada larga foi a mais ativa.

Remada alta com halteres tem o mesmo efeito da versão com barra?

Não se sabe. O estudo de McAllister e colegas testou apenas a barra, e os próprios autores encerram o artigo sugerindo que pesquisas futuras examinem a versão com halteres, porque os braços percorreriam um arco em vez de uma linha e as propriedades de abdução seriam diferentes. Os números desta página não se transferem para halteres.

A remada alta é um bom exercício para trapézio?

O trapézio participa, e o artigo cita um trabalho anterior (Handa e colegas, 2005) segundo o qual a remada alta atingia o trapézio superior de forma mais efetiva que remada sentada, remada curvada e puxadas. Na medição de McAllister, o trapézio superior e o médio aumentaram a atividade com a pegada mais larga na fase excêntrica.

Que carga foi usada no estudo, e ela serve de referência de treino?

Todos os participantes usaram 85% da carga máxima de uma repetição medida na pegada de 100% — a média de 1RM do grupo foi 61,5 kg. É uma condição de laboratório para comparar pegadas com a mesma carga, não uma recomendação de treino: escolha de carga e volume dependem do seu contexto e de orientação profissional.

Fontes

  1. McAllister MJ, Schilling BK, Hammond KG, Weiss LW, Farney TM — Effect of Grip Width on Electromyographic Activity During the Upright Row, J Strength Cond Res 27(1):181–187, 2013: EMG de deltoide, trapézio e bíceps com barra a 50%, 100% e 200% da distância biacromial, e o protocolo de execução (barra até o processo xifoide, sem impulso lombar)
  2. NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed. (Human Kinetics, 2022), seção 3.25 Upright Row: a remada alta como exercício padronizado de ombro no manual de técnica da NSCA

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 25 de julho de 2026