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Guia da Saúde

Remada invertida: como fazer, músculos e erros comuns

A remada invertida é uma puxada horizontal feita com o peso do corpo sob uma barra baixa. Entre as três remadas comparadas por Fenwick, Brown e McGill (JSCR, 2009), ela foi a que mais ativou o latíssimo do dorso e a que menos comprimiu a lombar: 2.339 N em L4/L5, contra 3.576 N da remada curvada.

Esses valores são de uma execução específica. Os Métodos do estudo descrevem alças suspensas por correntes e participantes orientados a manter os joelhos flexionados a 90°, puxando com os joelhos como ponto de apoio. O passo a passo abaixo ensina a versão de pernas estendidas com os calcanhares no chão, que deixa mais peso nas mãos — os números medidos não se transferem para ela.

Como fazer a remada invertida passo a passo

  1. Fixe a barra em torno da altura do quadril e confirme que ela está travada e firme.
  2. Deite-se de barriga para cima sob a barra, com o peito alinhado a ela, e segure com pegada pronada um pouco mais afastada que a largura dos ombros.
  3. Estenda as pernas e apoie os calcanhares no chão, formando uma linha reta do ombro ao calcanhar.
  4. Contraia abdômen e glúteos antes de puxar — é isso que impede o quadril de afundar no meio da série.
  5. Puxe o peito em direção à barra levando os cotovelos para trás e aproximando as escápulas no fim do movimento.
  6. Desça de forma controlada até estender os cotovelos, sem deixar o quadril cair primeiro.

Músculos trabalhados

O motor é o latíssimo do dorso, com a musculatura da parte alta das costas e os extensores do quadril sustentando o corpo em linha. No estudo de Fenwick e colegas — sempre na remada invertida de joelhos flexionados —, esses três grupos tiveram a maior ativação entre os exercícios testados, enquanto os eretores da espinha lombares trabalharam menos, e essa menor ativação correspondeu à menor carga medida sobre a coluna. A ordem entre os grupos musculares é o que a página aproveita daí; o quanto cada um trabalha na versão de pernas estendidas não foi medido.

Os flexores do cotovelo participam, como em qualquer puxada, mas não são o alvo: se os braços puxam e as escápulas não se movem, o exercício vira trabalho de bíceps.

Erros comuns

  • Quadril afundado. Quebra a linha ombro-calcanhar e transfere o esforço para fora das costas.
  • Puxar só com os braços. Sem aproximar as escápulas, a parte alta das costas fica de fora.
  • Amplitude parcial. Parar no meio do caminho reduz o estímulo; melhor elevar a barra e fazer a amplitude inteira.
  • Queixo esticado para chegar antes. O pescoço acompanha a linha do tronco; quem chega à barra é o peito.

Variações e alternativas

Elevar a barra ou os pés muda a exigência sem mudar o exercício, e é assim que a NSCA apresenta a remada invertida: um movimento a ser ajustado ao nível de quem treina. A variação mais direta é a de joelhos flexionados a 90°, com os pés no chão: o ponto de apoio passa dos calcanhares para os joelhos, o que encurta a alavanca e deixa menos peso nas mãos. Foi essa a execução que Fenwick e colegas mediram — quem quiser se comparar aos números do estudo tem de fazer essa, não a de pernas estendidas.

No mesmo padrão horizontal estão a remada curvada, que permite carga externa mas foi a de maior compressão lombar do estudo (3.576 N, na barra livre com o tronco inclinado), e a remada baixa, feita sentado com o tronco mais controlado pelo equipamento. Para a versão vertical do mesmo trabalho de dorsal, veja a barra fixa; o guia de exercícios para costas reúne o resto do grupo.

Os valores desta página vêm de sete homens avaliados em laboratório, cada exercício na execução descrita pelos autores: eles ordenam esses três exercícios entre si, não preveem a carga na sua coluna.

Perguntas frequentes

Remada invertida e remada australiana são a mesma coisa?

Sim. Remada australiana é o nome popular do mesmo movimento: puxada horizontal com o peso do corpo sob uma barra baixa. Na literatura científica em inglês ele aparece como inverted row, que é o exercício medido por Fenwick, Brown e McGill em 2009.

Como deixar a remada invertida mais fácil ou mais difícil?

Pela altura da barra e pelo ponto de apoio das pernas: barra mais alta deixa o corpo mais inclinado e o exercício menos exigente; barra mais baixa aproxima o corpo da horizontal e aumenta a exigência; apoiar os pés em um banco aumenta ainda mais. Flexionar os joelhos a 90° e deixar os pés no chão move o apoio para os joelhos e é a versão menos exigente — foi assim que o estudo de Fenwick e colegas executou o exercício. Não existe percentual publicado de carga para cada ângulo, então trate isso como ajuste de dificuldade, não como número.

Dá para fazer remada invertida em casa?

Só com um ponto de apoio que sustente com folga o seu peso e não deslize: uma barra fixada em rack, uma barra guiada ou fitas de suspensão ancoradas em estrutura firme. Improvisar com mesa ou móvel é onde as quedas acontecem.

Os 2.339 N valem para a remada invertida que eu faço?

Só se você fizer a execução que foi medida. Os Métodos de Fenwick, Brown e McGill descrevem alças suspensas por correntes, joelhos flexionados a 90° e a puxada feita com os joelhos como ponto de apoio. Com as pernas estendidas e os calcanhares no chão sobra mais peso nas mãos, e essa versão não foi avaliada no estudo — o valor de compressão não pode ser transferido para ela. O que o resultado sustenta é a comparação entre os três exercícios testados, cada um na execução descrita pelos autores.

Ela substitui a barra fixa?

Não são o mesmo estímulo: a barra fixa é puxada vertical e a remada invertida é puxada horizontal, com o corpo apoiado nos calcanhares e uma parcela menor do peso nas mãos. As duas convivem no mesmo treino de costas, cada uma no seu padrão de movimento.

Fontes

  1. Fenwick CMJ, Brown SHM, McGill SM — Comparison of Different Rowing Exercises: Trunk Muscle Activation and Lumbar Spine Motion, Load, and Stiffness, JSCR 23(2):350–358, 2009: nos Métodos, a remada invertida foi feita em alças suspensas por correntes, com os participantes orientados a manter os joelhos flexionados a 90° e a puxar usando os joelhos como ponto de apoio (fulcro); nessa execução ela teve a maior ativação de dorsal, parte alta das costas e extensores do quadril, e a menor compressão em L4/L5 (2.339 N, contra 2.457 N da remada unilateral em pé no cabo e 3.576 N da remada curvada)
  2. Resumo público do mesmo estudo (PubMed 19197209): confirma os três exercícios comparados, a amostra de sete homens e que a remada invertida combinou maior ativação de dorsal com a menor carga sobre a coluna lombar
  3. NSCA, Bridge Series — The Inverted Row: a entidade trata a remada invertida como exercício a ser ajustado a alunos de diferentes níveis de capacidade

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 25 de julho de 2026