Remada unilateral: como fazer, músculos e erros comuns
A remada unilateral, ou remada serrote, é uma puxada horizontal feita com um halter por vez, com o joelho e a mão do lado oposto apoiados no banco. O ponto que decide a execução é onde parar: a orientação da ACE é puxar o cotovelo para trás até o limite em que o tronco começaria a girar — e não além disso.
Como fazer a remada unilateral passo a passo
- Com um halter na mão direita, incline o tronco e apoie o joelho e a mão esquerdos no banco.
- Deixe a mão de apoio diretamente sob o ombro e o joelho sob o quadril, com as costas retas e as escápulas deprimidas e retraídas — ombros para baixo e para trás.
- Expire e puxe o halter devagar, dobrando o cotovelo e levando o braço para trás.
- Pare a subida no ponto em que só seria possível continuar girando o tronco.
- Inspire e desça o halter até a posição inicial, mantendo as costas retas e a escápula retraída. Repita e troque de lado.
Músculos trabalhados
O motor é o latíssimo do dorso, que aduz e roda medialmente o úmero e atua na extensão do braço — exatamente o gesto de levar o cotovelo para trás. Como o movimento termina com a escápula puxada para trás, entram o trapézio médio, cujas fibras médias retraem a escápula, e os romboides; o bíceps braquial dobra o cotovelo e o deltoide posterior acompanha o braço. Há ainda um trabalho que não aparece na carga do halter: o tronco atua para não girar durante a subida, e é essa tarefa que a regra de parada da ACE protege.
Erros comuns
- Girar o tronco para terminar a repetição. A amplitude ganha assim não vem do dorsal.
- Costas arredondadas. A coluna reta é referência do começo ao fim, inclusive na descida.
- Apoio fora de lugar. Mão adiante da linha do ombro ou joelho fora da linha do quadril desalinham o tronco antes da primeira repetição.
- Transformar a puxada em rosca. O comando é levar o braço para trás; o cotovelo dobra como consequência.
- Soltar a escápula na descida. O ombro que cai à frente no fim tira a posição retraída de que a subida seguinte precisa.
Variações e alternativas
A versão unilateral em pé na polia não é a mesma coisa. Fenwick e colegas (JSCR, 2009) compararam três remadas em 7 homens e registraram que a remada unilateral no cabo desafia a capacidade de torção da musculatura do tronco — se o objetivo for resistência ou força de torção, dizem os autores, ela pode ser considerada. O achado é da execução em pé: a versão apoiada no banco não foi medida nesse estudo, e os resultados dele não valem para ela.
Para trabalhar os dois lados de uma vez, a remada curvada usa carga simétrica e foi, no mesmo estudo, a que impôs a maior carga à coluna lombar. Sentado, a remada baixa tira a exigência de sustentar o tronco inclinado. O guia de exercícios para costas reúne as demais opções, e a calculadora de volume semanal por grupo muscular ajuda a distribuir as séries.
Perguntas frequentes
Remada unilateral e remada serrote são a mesma coisa?
Sim. 'Serrote' é o apelido brasileiro do movimento, pela semelhança com o gesto de serrar. A ACE cataloga o exercício como single-arm row e o manual de técnica da NSCA o lista como One-Arm Dumbbell Row, item 3.15 do sumário da 4ª edição. A execução descrita é a mesma.
Dá para fazer a remada unilateral sem banco?
O banco só serve para sustentar o tronco inclinado com a mão de apoio sob o ombro e o joelho sob o quadril. Sem banco, é possível apoiar a mão livre em um suporte firme e estável na mesma altura, desde que essas referências da ACE se mantenham: mão sob o ombro, coluna reta e escápula retraída. Apoio instável ou fora de altura muda o alinhamento e é o que costuma atrapalhar.
A remada unilateral é melhor que a remada curvada?
Não há número que responda isso para a versão apoiada no banco. O estudo que comparou remadas mediu a unilateral em pé na polia, não a serrote apoiada, então os resultados dele não podem ser transferidos. A diferença prática está no apoio: com joelho e mão no banco, você não precisa sustentar o tronco inclinado no ar durante a série.
Como saber se estou girando o tronco na subida?
A própria ACE sugere executar ao lado de um espelho para acompanhar mudanças na posição das costas e do ombro e checar a rotação de tronco. Um sinal simples: se o halter só continua subindo quando o ombro do lado do peso se abre para cima, a repetição passou do ponto de parada.
Quantas repetições e que peso usar na remada serrote?
Não existe número universal, e esta página não prescreve carga. O critério de execução que as fontes sustentam é objetivo: o peso precisa permitir completar a subida sem girar o tronco e sem perder as costas retas. Se um dos dois falha antes do fim da série, a carga está acima do que a técnica suporta hoje.
Fontes
- American Council on Exercise (ACE), Exercise Library — Single-Arm Row: passo a passo oficial, com a instrução de puxar até o limite em que o tronco começaria a girar e de conferir a rotação de tronco no espelho
- Fenwick CMJ, Brown SHM, McGill SM — Comparison of Different Rowing Exercises: Trunk Muscle Activation and Lumbar Spine Motion, Load, and Stiffness, JSCR 23(2):350–358, 2009: com 7 homens, a remada unilateral EM PÉ NO CABO desafiou a capacidade de torção da musculatura do tronco; a remada curvada gerou a maior carga na coluna lombar
- NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed.: o sumário lista a One-Arm Dumbbell Row (3.15) entre os exercícios multiarticulares de costas
- StatPearls (NCBI Bookshelf), Anatomy, Back, Latissimus Dorsi: o latíssimo aduz e roda medialmente o úmero e atua na extensão do braço
- StatPearls (NCBI Bookshelf), Anatomy, Back, Trapezius: as fibras médias do trapézio retraem (aduzem) a escápula
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 25 de julho de 2026