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Guia da Saúde

Afundo reverso: como fazer, músculos e erros comuns

Afundo reverso é o afundo dado para trás: quem se desloca é a perna de trás, e a perna da frente não sai do lugar. A troca de direção mexe com o tronco: em Song e Yoo (2021), o eretor da espinha marcou 72,94% da contração de referência na subida do afundo reverso, contra 52,09% na mesma fase do afundo à frente.

Como fazer o afundo reverso passo a passo

  1. Em pé, pés na largura dos ombros, tronco ereto e mãos unidas à frente — a posição usada nos dois protocolos de laboratório citados aqui.
  2. Dê o passo para trás com a perna não dominante. Em Song e Yoo (2021) a distância era marcada no chão a 75% do comprimento da perna dominante.
  3. Desça em 2 segundos até o joelho de trás encostar de leve no chão; no laboratório, um apoio de espuma de 6 cm marcava esse ponto.
  4. Mantenha o tronco na vertical durante a descida e a subida — foi a instrução dada aos participantes, e é o que sustenta o padrão de ativação medido.
  5. Suba em 2 segundos empurrando o chão com a perna da frente e volte à posição inicial. O metrônomo dos dois estudos marcava 60 bpm, quatro tempos por repetição.

Músculos trabalhados

O motor é o quadríceps da perna da frente, mas em intensidade menor que no afundo à frente: o vasto medial oblíquo ficou em 45,77% no reverso contra 54,28% na versão à frente (p = 0,028), com amplitude de joelho também menor (99,52° contra 105,49°). O glúteo máximo trabalha nas duas direções sem diferença significativa entre elas. Quem muda de patamar é o eretor da espinha: 72,94% na subida e 54,76% na descida do reverso, contra 52,09% e 37,31% no afundo à frente.

Erros comuns

  • Inclinar o tronco para frente. O tronco vertical é a condição em que esses números foram medidos; jogar o peito à frente muda o exercício.
  • Encurtar o passo. A referência dos estudos é proporcional à sua perna, não um número fixo.
  • Deixar o joelho de trás bater no chão. No protocolo ele apenas encostava num apoio de 6 cm.
  • Apoiar o calcanhar de trás primeiro. No reverso quem toca é a ponta do pé; a base de apoio fica estreita e sem informação visual, e é daí que vem a exigência extra sobre o tronco.
  • Esperar do reverso os números do afundo à frente. Amplitude de joelho, de tornozelo e ativação do quadríceps foram todas menores nesta direção.

Variações e alternativas

Dar o passo à frente em vez de para trás é o afundo, a versão com maior amplitude de joelho e mais quadríceps. Apoiar o pé de trás num banco fixo transforma o movimento em agachamento búlgaro, e inverter o sentido — subir em vez de descer — leva ao step up.

O guia de exercícios para glúteos reúne os quatro padrões da classificação da NSCA, onde o afundo reverso ocupa o padrão agachamento/afundo; para o lado do joelho, veja os exercícios para quadríceps.

Perguntas frequentes

O afundo reverso ativa mais o glúteo que o afundo à frente?

Na medição de Park e colegas (2021), não. O glúteo máximo ficou em 15,71% no afundo reverso e 16,99% no afundo à frente, diferença que não alcançou significância estatística (p = 0,073). O que mudou de verdade entre as duas direções foi o quadríceps (menor no reverso) e o eretor da espinha (maior no reverso).

Qual a distância do passo para trás?

No protocolo de Song e Yoo (2021) a marca no chão ficava a 75% do comprimento da perna dominante, e um apoio de espuma de 6 cm indicava até onde o joelho de trás descia. É uma referência de laboratório, proporcional ao corpo de cada participante, não um número fixo em centímetros.

Em que ritmo o movimento foi medido nos estudos?

Os dois estudos citados usaram metrônomo a 60 bpm: 2 segundos para descer e 2 segundos para subir, quatro tempos por repetição. Song e Yoo aplicaram três repetições por exercício, com 1 minuto de descanso entre elas.

Por que o afundo reverso desequilibra mais?

Song e Yoo (2021) apontam duas razões: o pé de trás toca o chão pela ponta, o que deixa a base de apoio estreita na aterrissagem, e o praticante não enxerga para onde está indo, o que reduz o controle antecipatório. Foi a explicação dos autores para o eretor da espinha trabalhar mais nessa direção.

Precisa de barra ou halteres?

Não para executar o movimento: os dados desta página vêm de protocolos com o corpo em pé, mãos unidas à frente, sem implemento. A versão com barra existe e está catalogada no periódico da NSCA, mas carga, série e repetição dependem de avaliação individual e não são prescritas aqui.

Fontes

  1. Song JK, Yoo WG — Effect of Backward Versus Forward Lunge Exercises on Trunk Muscle Activities in Healthy Participants, Physical Therapy Korea 28(4): 273-277, 2021: no afundo reverso o eretor da espinha registrou 72,94% da contração isométrica de referência na subida e 54,76% na descida, contra 52,09% e 37,31% no afundo à frente (p menor que 0,05); o reto abdominal não diferiu entre as duas direções. Traz também o protocolo (passo de 75% do comprimento da perna dominante, apoio de espuma de 6 cm no joelho de trás, tronco vertical) e a explicação da instabilidade: falta de informação visual e apoio inicial na ponta do pé
  2. Park S, Huang T, Song J, Lee M — Comparative Study of the Biomechanical Factors in Range of Motion, Muscle Activity, and Vertical Ground Reaction Force between a Forward Lunge and Backward Lunge, Physical Therapy and Rehabilitation Science 10(2), 2021: em 15 homens saudáveis, o afundo reverso teve amplitude de joelho de 99,52° contra 105,49° do afundo à frente (p = 0,040), de tornozelo 13,74° contra 15,81° (p = 0,044), ativação do vasto medial oblíquo de 45,77% contra 54,28% (p = 0,028) e pico de força vertical no solo menor (p = 0,035); o glúteo máximo não diferiu (15,71% contra 16,99%, p = 0,073). Ritmo padronizado em 2 s de descida e 2 s de subida, metrônomo a 60 bpm
  3. NSCA PTQ 10.4.4 — Program Design Considerations for Optimal Strength and Hypertrophy of the Glute Muscles: classifica o treino de glúteos em quatro padrões (thrust/bridge, agachamento/afundo, hinge/pull e abdução) e coloca o afundo reverso dentro do padrão agachamento/afundo
  4. Exercise: Barbell Backward Lunge, NSCA Strength and Conditioning Journal 33(4), 2011: registra a versão com barra do afundo reverso no catálogo de exercícios do periódico da NSCA (texto integral restrito — nenhum dado deste artigo foi usado nesta página)

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026