Aromaterapia: o que é, segundo o Ministério da Saúde
Aromaterapia tem definição oficial no Brasil, e ela é curta. Está no anexo da Portaria nº 702, de 21 de março de 2018, do Ministério da Saúde:
“A aromaterapia é prática terapêutica secular que consiste no uso intencional de concentrados voláteis extraídos de vegetais — os óleos essenciais (OE) — a fim de promover ou melhorar a saúde, o bem-estar e a higiene.”
Foi essa portaria que incluiu a aromaterapia na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), junto com outras onze práticas. E há um detalhe que organiza o resto desta página: a palavra “aromaterapia” não aparece nenhuma vez no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, o documento técnico que fixa dose de planta medicinal no país.
O que a portaria diz — e o que ela não diz
O anexo da Portaria nº 702/2018 descreve a aromaterapia como parte da aromatologia, registra que França e Inglaterra passaram a pesquisar o uso terapêutico dos óleos essenciais na década de 1930 e a apresenta como prática multiprofissional, adotada por enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, médicos, veterinários e terapeutas holísticos, “para auxiliar de modo complementar a estabelecer o reequilíbrio físico e/ou emocional do indivíduo”.
Agora o que o texto não traz, e vale saber antes de procurar nele o que ele não tem:
- nenhuma indicação clínica — não há uma lista de “aromaterapia serve para X”;
- nenhuma dose, nenhuma diluição, nenhum tempo de exposição;
- nenhuma contraindicação, nenhuma faixa etária;
- nenhuma lista de óleos.
Ele inclui uma prática e a define. Entre os argumentos de inclusão, aparece explicitamente o econômico: a aromaterapia pode colaborar “com a economia de gastos da instituição pública por utilizar matéria-prima de custo relativamente baixo”. Reconhecimento de prática e demonstração de eficácia são coisas distintas — a pergunta da evidência está em aromaterapia funciona.
As doze práticas da mesma portaria
A Portaria nº 702/2018 incluiu, no mesmo ato: aromaterapia, apiterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, medicina antroposófica/antroposofia aplicada à saúde, ozonioterapia, terapia de florais e termalismo social/crenoterapia.
Saber a companhia importa para calibrar o que “está no SUS” significa: é uma política de práticas integrativas e complementares, com diretrizes próprias, e não a mesma via pela qual um medicamento recebe indicação aprovada.
A ausência que diz muito: o Formulário de Fitoterápicos
O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição, vigente desde 1º de julho de 2026, é o documento que traz dose, preparo, indicação e advertência de planta medicinal no Brasil. São 85 monografias de espécie (FT001 a FT085) e 236 formulações.
Fizemos a conta simples: nenhuma dessas formulações é de óleo essencial. As formas farmacêuticas são infuso, decocto, tintura, extrato fluido, xarope, cápsula com droga vegetal e afins. O óleo essencial só aparece no documento dentro de advertências — para explicar por que uma planta interage com um remédio, ou de onde vem um efeito adverso. E a palavra “aromaterapia” não aparece nenhuma vez.
Isso não é descuido. São dois sistemas diferentes: o Formulário regula fitoterápico manipulado, com dose em gramas de droga vegetal seca; a aromaterapia usa concentrado volátil, que no Brasil é vendido como cosmético. A separação entre as duas matérias-primas está detalhada em diferença entre óleo essencial e óleo vegetal e em óleo essencial e essência: qual a diferença.
”Inalação” no documento brasileiro não é difusor
O Formulário até tem uma via inalatória — e ela é outra coisa. A definição está nas generalidades:
“Uso inalatório por vaporização é a administração por inspiração (nasal ou oral) de vapor d’água contendo substâncias voláteis carreadas.”
É o vapor do infuso da planta seca, não do óleo essencial no difusor. E a dose é em gramas de droga vegetal:
| Espécie | Inalação registrada |
|---|---|
| Eucalipto (folha) | Inalar o vapor do infuso, 3 vezes ao dia; dose máxima diária de 9 g |
| Camomila (adulto e acima de 12 anos) | Infuso preparado com 3 a 10 g, diversas vezes ao dia |
| Camomila (6 a 12 anos) | Infuso preparado com 2 a 5 g, até duas vezes ao dia |
A monografia da camomila ainda registra que a inalação não é recomendada a menores de 6 anos. A mesma monografia, com as demais formas e limites, está em camomila e a preparação caseira em chá de camomila.
Repare no contraste: aqui existe dose, existe frequência e existe idade mínima. No difusor de óleo essencial, cada um decide sozinho quantas gotas e por quanto tempo — o que já é motivo para ler quantas gotas no difusor e como usar difusor.
Aromaterapia não é fitoterapia — e por que a diferença importa
| Fitoterapia | Aromaterapia | |
|---|---|---|
| Matéria-prima | Droga vegetal seca (folha, flor, casca) | Óleo essencial destilado |
| Concentração | Diluída no chá ou na tintura | Altamente concentrada |
| Dose oficial | Em gramas, na monografia | Não há dose oficial brasileira |
| Documento de referência | Formulário de Fitoterápicos | Definição na PNPIC, sem posologia |
| Enquadramento do produto | Fitoterápico ou droga vegetal | Cosmético (RDC 752/2022) |
O índice das espécies com monografia e dose oficial fica em plantas medicinais. E as regras de segurança do óleo essencial — diluição, via, quem não pode — estão reunidas em óleos essenciais.
O básico de segurança, em uma linha cada
Aromaterapia trabalha com concentrado. Antes de qualquer uso: não ingerir, não aplicar puro na pele, não usar em bebê sem orientação, e manter o frasco fora do alcance de criança e de animal. Se houver ingestão acidental, sonolência, engasgo, tosse persistente ou falta de ar, procure serviço de saúde imediatamente — não provoque vômito. Cada um desses pontos tem sua página no cluster de segurança, a começar por óleos essenciais.
Perguntas frequentes
Aromaterapia é oferecida no SUS?
Sim. Ela foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria nº 702, de 21 de março de 2018, junto com outras onze práticas. A oferta depende de cada município e serviço, porque a política orienta estados e municípios a instituírem suas próprias normativas.
Aromaterapia é a mesma coisa que fitoterapia?
Não. Fitoterapia usa a droga vegetal — folha, flor, casca seca — em chá, tintura ou cápsula, com dose em gramas. Aromaterapia usa o óleo essencial, um concentrado volátil obtido por destilação. São matérias-primas diferentes, concentrações muito diferentes e vias de uso diferentes.
Quem pode praticar aromaterapia?
O texto da portaria descreve a aromaterapia como prática multiprofissional, adotada por enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, médicos, veterinários e terapeutas holísticos, entre outros. Não há, na portaria, formação obrigatória única nem lista de indicações clínicas.
Óleo essencial vendido em loja é remédio?
No Brasil ele é regularizado como cosmético, não como medicamento. A RDC 752/2022 classifica esses produtos em Grau 1 e Grau 2 e proíbe, no art. 12, alegação terapêutica na rotulagem. Não existe categoria chamada grau terapêutico na regulação brasileira.
Fontes
- Ministério da Saúde — Portaria nº 702, de 21 de março de 2018 (Diário Oficial da União nº 56, de 22 de março de 2018, seção 1, página 74): a inclusão da aromaterapia e de outras onze práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, e a definição oficial de aromaterapia como prática terapêutica secular que consiste no uso intencional de concentrados voláteis extraídos de vegetais, os óleos essenciais, a fim de promover ou melhorar a saúde, o bem-estar e a higiene
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026), aprovado pela RDC nº 1.024 de 14 de maio de 2026: as 85 monografias de espécie (FT001 a FT085) e 236 formulações, nenhuma delas de óleo essencial; a definição de uso inalatório por vaporização como administração por inspiração nasal ou oral de vapor d'água contendo substâncias voláteis carreadas; e as doses de inalação em gramas de droga vegetal seca das monografias de eucalipto e camomila
- National Center for Complementary and Integrative Health (NIH) — Aromatherapy: a definição de aromaterapia como uso de óleos essenciais de plantas (flores, ervas ou árvores) como abordagem complementar de saúde, aplicados principalmente por inalação ou em forma diluída sobre a pele
- Anvisa — RDC nº 752, de 19 de setembro de 2022: a definição de produto de higiene pessoal, cosmético e perfume no art. 3º, XVI, a classificação em Grau 1 e Grau 2, e o art. 12, que proíbe alegações terapêuticas na rotulagem
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 4 de agosto de 2026