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Guia da Saúde

Boldo-brasileiro interage com remédio? O que consta

A monografia FT064 traz uma frase que resolve a pergunta de uma vez: “Não utilizar esse fitoterápico juntamente com metronidazol ou dissulfiram, medicamentos depressores do SNC, anti-hipertensivos, digoxina, antiarrítmicos e moduladores da tireoide”. São sete grupos, e há ainda duas advertências de mecanismo somadas a eles.

A lista, grupo por grupo

Não usar junto comExemplos típicos da classe
Metronidazolantibiótico usado em infecções por anaeróbios e protozoários
Dissulfirammedicamento usado no tratamento do alcoolismo
Depressores do SNCsedativos, ansiolíticos e hipnóticos em geral
Anti-hipertensivosremédios de pressão alta, de qualquer classe
Digoxinausada em insuficiência cardíaca e em algumas arritmias
Antiarrítmicosmedicamentos que controlam o ritmo do coração
Moduladores da tireoidemedicamentos que ajustam a função tireoidiana

Quatro dos sete grupos são de uso cardiovascular ou endócrino contínuo — o tipo de medicação que a pessoa toma todo dia e nem lembra de mencionar quando alguém oferece um chá.

As duas advertências de mecanismo

Barbitúricos. A monografia relata que estudos em animais mostraram redução do tempo de sono induzido por pentobarbital com o uso do extrato aquoso — e conclui daí que uma potencial interação com barbitúricos deve ser considerada. Note a direção: o que se encurtou foi o efeito do sedativo. É um sinal de que a planta pode acelerar a eliminação do outro fármaco, e não de que some com ele.

Ação antiácida. Este é o mecanismo mais amplo e o menos comentado. Segundo o documento, por sua ação antiácida o fitoterápico pode reduzir a biodisponibilidade de fármacos cuja absorção é influenciada pelo pH gástrico. Ou seja: existe uma família inteira de medicamentos que precisa de estômago ácido para ser bem absorvida, e um chá que reduz essa acidez pode fazê-los render menos. Nada disso produz sintoma perceptível — o remédio simplesmente funciona pior.

Metronidazol e dissulfiram na mesma frase

Os dois medicamentos que abrem a lista são conhecidos pela mesma característica: ambos provocam reação desagradável quando a pessoa ingere álcool. A monografia não explica por que os cita, e a advertência aparece na seção geral, valendo para todas as preparações da espécie.

Vale registrar o que é observável e o que não é. É observável que a alcoolatura e a tintura de boldo-brasileiro contêm álcool etílico a 80% e a 70% — a composição está em tintura de boldo-brasileiro. Não é observável, no texto da monografia, um motivo declarado para a citação dos dois fármacos. Onde a fonte não diz, esta página também não diz.

O que fazer com essa lista

Ela é grande o bastante para que a conduta prática seja simples: quem toma medicamento de uso contínuo confere antes, com o médico ou o farmacêutico, e não pelo chá. Hipertensos, aliás, estão duplamente restritos — a condição, e não só o remédio, aparece entre as contraindicações em quem não pode tomar boldo-brasileiro.

Interação é assunto diferente de reação adversa. O que a planta pode causar sozinha está em boldo-brasileiro: efeitos colaterais, e a indicação a que tudo isso serve, em boldo-brasileiro: para que serve.

Perguntas frequentes

Boldo-brasileiro corta o efeito de outros remédios?

Pode reduzir o de alguns, por um mecanismo específico: a monografia atribui à planta ação antiácida e diz que ela pode diminuir a biodisponibilidade de fármacos cuja absorção depende do pH gástrico. Não é uma regra para todo medicamento — é para os que precisam de acidez no estômago para serem bem absorvidos, e quem sabe se o seu é um deles é o farmacêutico ou o médico que o prescreveu.

Estou tomando metronidazol. Posso tomar o chá?

A monografia diz para não utilizar o fitoterápico junto com metronidazol. A instrução é essa, sem exceção descrita e sem prazo, e vale enquanto durar o antibiótico.

Quanto tempo devo esperar entre o remédio e o chá?

A monografia não estabelece intervalo de segurança. Ela orienta não utilizar junto — e não descreve um espaçamento que tornaria a combinação aceitável. Espaçar por conta própria é criar uma regra que a fonte não dá.

Quem toma remédio para tireoide precisa evitar?

Moduladores da tireoide estão na lista de medicamentos que a monografia manda não associar ao fitoterápico. É uma das sete classes citadas nominalmente, e a instrução vale para as três preparações da espécie, não só para o chá.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT064, Plectranthus barbatus Andrews: a orientação de não utilizar o fitoterápico junto com metronidazol, dissulfiram, medicamentos depressores do SNC, anti-hipertensivos, digoxina, antiarrítmicos e moduladores da tireoide; a potencial interação com barbitúricos a partir de estudos em animais que mostraram redução do tempo de sono induzido por pentobarbital; e a redução de biodisponibilidade de fármacos cuja absorção é influenciada pelo pH gástrico, devido à ação antiácida

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026