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Guia da Saúde

Castanha-da-índia: efeitos colaterais e frequência real

As reações adversas registradas para a castanha-da-índia são quatro por via oral — queixas gastrointestinais, cefaleia, vertigem e prurido, mais reações alérgicas — e duas por via tópica — prurido e eritema. Em todas elas, a monografia europeia e o Formulário brasileiro escrevem a mesma frase: a frequência não é conhecida. É essa frase, e não a lista, que diz o que se sabe de fato.

O que está descrito, separado por via

ReaçãoUso oralUso tópicoFrequência
Queixas gastrointestinaissimnão conhecida
Cefaleiasimnão conhecida
Vertigem ou tonturasimnão conhecida
Pruridosimsimnão conhecida
Eritemasimnão conhecida
Reações alérgicassimsimnão conhecida

A separação por via importa mais do que parece: quem usa gel ou pomada não corre o conjunto de reações sistêmicas descrito para a cápsula, e quem toma cápsula não tem a advertência de pele. A monografia brasileira ainda soma cefaleia, tontura, irritação gástrica e prurido citando o Health Canada de 2008 — uma quinta fonte, além das europeias.

”A frequência não é conhecida” não é um detalhe burocrático

Bulas costumam classificar reações em muito comum, comum, incomum, rara e muito rara, e essa escala sai de estudos que contaram quantas pessoas tiveram cada evento. Na castanha-da-índia, nenhuma das reações recebeu classificação. O documento diz que elas foram relatadas e que não se sabe com que frequência.

O que existe de mensuração vem da meta-análise de ensaios com extrato de semente, e ela é uma descrição qualitativa: eventos adversos em geral leves e pouco frequentes. É uma boa notícia com limite conhecido — os ensaios foram de curto prazo, e o NIH descreve o uso seguro documentado em pesquisa como sendo de até 12 semanas.

A casca tem uma linha em branco onde deveria haver reações

Aqui aparece uma divergência de documento que vale registrar. A monografia europeia da casca, revisada em 2023, preenche a seção de efeitos indesejáveis com duas palavras: nenhum conhecido. O Formulário brasileiro, tratando da mesma casca na FT003, lista cefaleia, tontura, irritação gástrica e prurido — atribuindo a lista ao Health Canada, não à EMA.

As duas afirmações convivem sem se anular: “nenhum efeito indesejável conhecido” na Europa significa que a revisão não encontrou relato atribuível àquelas preparações, e não que a casca seja inócua. Do lado brasileiro, a lista existe e é ela que vale para quem usa a cápsula de casca aqui. Quando dois documentos discordam sobre o que advertir, a página segue o que adverte mais — o mesmo critério aplicado à lista de contraindicações em quem não pode tomar castanha-da-índia.

A reação grave que aparece na literatura é alérgica

Reação rara não é reação inexistente, e a série mais útil sobre isso é antiga e ampla. O Centro Suíço de Informação Toxicológica revisou 29 anos de registros, de 1966 a 1994: foram 24.950 contatos ou ingestões de material vegetal tóxico, dos quais 152 evoluíram como intoxicação grave e 135 puderam ser analisados em detalhe.

Nessa lista de 135 casos graves, a Aesculus hippocastanum aparece com três casos, todos alérgicos — e dois deles com choque anafilático. Não é uma reação de dose, é uma reação de hipersensibilidade, e é exatamente por isso que a única contraindicação absoluta da planta, nos documentos brasileiro e europeu, é alergia a qualquer componente da formulação.

Quando parar e procurar atendimento

Procure serviço de saúde imediatamente se aparecer falta de ar, chiado, inchaço de lábios, língua ou pálpebras, urticária espalhada, tontura intensa ou sensação de desmaio — o quadro de reação alérgica grave não espera. Procure avaliação no mesmo dia se surgir sangramento retal, inchaço súbito de uma perna com dor ou vermelhidão, ou sinais de infecção na pele onde o gel foi aplicado.

E há a regra que o próprio documento escreve para todo o resto: se ocorrer qualquer evento adverso não mencionado nas monografias, suspender o produto e consultar um médico. Reações que dependem de outro medicamento em uso são assunto de castanha-da-índia e remédios. O panorama da espécie, com as seis fórmulas registradas, está em castanha-da-índia: para que serve.

Perguntas frequentes

Castanha-da-índia dá dor de estômago?

Queixa gastrointestinal está entre as reações relatadas com o uso oral, nas duas monografias, sem frequência estabelecida. Não há na monografia orientação de tomar junto com alimento para evitá-la. Se o desconforto aparecer e persistir, a conduta descrita é suspender o produto e consultar um médico.

Passar o gel pode deixar a pele vermelha?

Sim, e isso está registrado: reações de hipersensibilidade da pele, com prurido e eritema, foram relatadas com o uso tópico, também com frequência desconhecida. A monografia acrescenta que o aparecimento de sinais de infecção de pele durante o uso é motivo para procurar avaliação, não para insistir.

Existe caso de overdose de castanha-da-índia?

A seção de superdosagem da monografia europeia da semente tem uma linha: nenhum caso de superdosagem foi relatado. Isso vale para as preparações registradas, tomadas na dose descrita, e não se estende à ingestão da semente crua, que é outro cenário e tem outra fonte.

A castanha-da-índia faz mal ao fígado?

Nem as monografias brasileiras nem as europeias registram hepatotoxicidade entre as reações da planta, e fígado não aparece nas condições que exigem avaliação prévia. As condições listadas são de pele, veia, coração e rim — e nesses casos a orientação é consultar antes de começar.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografias FT003 (córtex) e FT004 (semente) de Aesculus hippocastanum L.: o registro de que pode ocorrer cefaleia, tontura, irritação gástrica e prurido, atribuído ao Health Canada de 2008; o registro de que queixas gastrointestinais, cefaleia, vertigem, prurido e reações alérgicas foram relatadas com o uso oral e que a frequência não é conhecida; e o registro de reações de hipersensibilidade da pele, prurido e eritema, com o uso tópico, também com frequência desconhecida
  2. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Aesculus hippocastanum L., semen (EMA/HMPC/638242/2018, revisão 1, 2020), seções 4.8 e 4.9: a lista de reações separada por via, a repetição da frase de que a frequência não é conhecida em todas as entradas, e o registro de que nenhum caso de superdosagem foi relatado
  3. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Aesculus hippocastanum L., cortex (EMA/HMPC/596130/2022, revisão 1, 2023), seção 4.8: a entrada de efeitos indesejáveis da casca preenchida com a expressão nenhum conhecido, em contraste com a lista de reações que o Formulário brasileiro atribui à mesma parte da planta
  4. Jaspersen-Schib R, Theus L, Guirguis-Oeschger M, Gossweiler B, Meier-Abt PJ. Serious plant poisonings in Switzerland 1966-1994. Case analysis from the Swiss Toxicology Information Center. Schweiz Med Wochenschr. 1996;126(25):1085-98 — a série de 24.950 contatos ou ingestões de material vegetal tóxico em 29 anos, com 152 intoxicações graves, 135 analisadas em detalhe, e os três casos atribuídos a Aesculus hippocastanum, todos alérgicos, sendo dois de choque anafilático
  5. Pittler MH, Ernst E. Horse chestnut seed extract for chronic venous insufficiency. Cochrane Database Syst Rev. 2012;11:CD003230 — a conclusão de que os eventos adversos foram em geral leves e pouco frequentes nos ensaios controlados por placebo com extrato de semente

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 6 de agosto de 2026