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Guia da Saúde

Como funciona a visão: da córnea ao nervo óptico

A visão funciona em três passos: a córnea e o cristalino focam a luz na retina; os fotorreceptores da retina mudam de potencial de membrana quando a luz bate neles; e o sinal sai pelo nervo óptico. A cor não é lida como cor — é lida como comprimento de onda.

Onde fica

O olho fica dentro da órbita, a cavidade óssea que o protege e ancora os tecidos moles. Sua parede tem três camadas:

  • Túnica fibrosa — a esclera branca, que responde por cinco sextos da superfície do olho, e a córnea transparente, que cobre a parte anterior e deixa a luz entrar.
  • Túnica vascular — a coroide, muito vascularizada, que irriga o globo; o corpo ciliar, preso ao cristalino por ligamentos suspensores; a íris, que é músculo liso e é a parte colorida; e a pupila, o furo central. A íris contrai a pupila na luz forte e dilata na fraca.
  • Túnica neural — a retina, onde está o tecido nervoso responsável pela fotorrecepção.

Entre a córnea e o cristalino, a cavidade anterior é preenchida por humor aquoso; atrás do cristalino, a cavidade posterior é preenchida por humor vítreo, mais viscoso.

Fora do globo, seis músculos extraoculares movem o olho, a glândula lacrimal fica dentro da órbita, acima e lateral ao globo, e produz as lágrimas que lavam partículas da superfície — o mesmo filme que se espalha a cada piscada.

O que faz

Um fóton que atinge a retina altera quimicamente o pigmento do fotorreceptor. O pigmento é uma opsina, proteína transmembrana com um cofator chamado retinal, molécula de hidrocarboneto aparentada à vitamina A. Antes da luz, o retinal está na forma 11-cis-retinal, curvada. O fóton faz carbonos de dupla ligação passarem de cis para trans — a fotoisomerização — e nasce o all-trans-retinal, de cadeia reta.

Isso ativa uma proteína G, muda o potencial de membrana do fotorreceptor e faz ele liberar menos neurotransmissor na camada sináptica externa. A partir daí o sinal passa por células bipolares, chega às células ganglionares da retina e sai pelo nervo óptico.

Enquanto o retinal não volta à forma cis, a opsina não responde a luz nenhuma: é o branqueamento. Quando um grupo grande de fotopigmentos branqueia de uma vez, a retina manda informação como se percebesse o oposto — é a imagem residual em negativo depois de um flash.

Os números da cor: 420, 534 e 564 nanômetros

Aqui está o dado que fecha a conta da visão de cores. Existem três opsinas de cone, e cada uma tem um pico de sensibilidade declarado:

OpsinaPico de sensibilidadeCor aproximada
Cone L564 nmvermelho
Cone M534 nmverde
Cone S420 nmazul
Rodopsina (bastonete)498 nmnão codifica cor

A luz visível vai de 380 nm (azul) a 720 nm (vermelho escuro); acima de 720 nm começa o infravermelho e abaixo de 380 nm, o ultravioleta. O cérebro não recebe “vermelho”: recebe três níveis de atividade e compara os três cones para extrair a cor.

E há um contraste de sensibilidade que vale registrar: o bastonete é tão sensível que um único fóton pode gerar um potencial de ação na célula ganglionar correspondente. O sistema nervoso leva esse sinal ao lobo occipital, e é lá — não no olho — que a imagem vira percepção, um dos vários trabalhos do cérebro. A visão é um dos sentidos especiais, justamente por ter um órgão dedicado a ela.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre bastonete e cone?

O bastonete usa rodopsina, é muito mais sensível e sustenta a visão em pouca luz — mas não distingue cor. O cone tem três opsinas diferentes e funciona em condições claras, e é ele que dá a visão de cores.

Por que no escuro vemos em tons de cinza?

Num quarto escuro não há luz suficiente para ativar as opsinas dos cones, e a visão passa a depender inteiramente dos bastonetes. Como o bastonete não percebe a cor da luz, a visão de pouca luz é, em essência, em escala de cinza.

O que é o ponto cego do olho?

É o disco óptico. Como os axônios das células ganglionares atravessam a retina para sair do olho como nervo óptico, não há fotorreceptores exatamente nesse ponto — o que cria uma região sem captação de imagem.

Por que enxergamos mais nítido bem no centro?

Na fóvea a retina não tem células de suporte nem vasos, só fotorreceptores, e cada fotorreceptor se liga a uma única célula ganglionar. Nas bordas, vários fotorreceptores convergem para uma mesma célula, numa razão de até 50 para 1.

Quantos músculos movem o olho?

Seis músculos extraoculares movem o globo dentro da órbita: quatro retos e dois oblíquos. Um sétimo músculo, o levantador da pálpebra superior, eleva e retrai a pálpebra de cima.

Fontes

  1. OpenStax, Anatomy and Physiology 2e — 14.1 Sensory Perception, seção Vision: as três túnicas do olho — fibrosa (esclera branca, que responde por cinco sextos da superfície do olho, e córnea transparente, que cobre a parte anterior e junto com o cristalino foca a luz na retina), vascular (coroide muito vascularizada, corpo ciliar preso ao cristalino por ligamentos suspensores ou fibras zonulares, íris como músculo liso que abre e fecha a pupila, e pupila que se contrai na luz forte e dilata na luz fraca) e neural (retina); a cavidade anterior preenchida por humor aquoso e a posterior por humor vítreo; os seis músculos extraoculares (retos superior, medial, inferior e lateral, mais oblíquos superior e inferior, este passando pela tróclea) e o sétimo músculo da órbita, o levantador da pálpebra superior; a glândula lacrimal situada dentro da órbita, superior e lateral ao globo; a fóvea, que não tem células de suporte nem vasos e só contém fotorreceptores, com um fotorreceptor por célula ganglionar da retina, contra convergência de até 50 para 1 nas bordas; o disco óptico, onde os axônios saem como nervo óptico e não há fotorreceptores, criando o ponto cego; os dois tipos de fotorreceptor, bastonetes com rodopsina e cones com opsinas; o pico de sensibilidade da rodopsina em 498 nm e a capacidade de um único fóton gerar potencial de ação; os picos das três opsinas dos cones em 564 nm, 534 nm e 420 nm, correspondendo aproximadamente a vermelho, verde e azul; a luz visível entre 380 e 720 nm; o retinal, molécula de hidrocarboneto aparentada à vitamina A, mudando de 11-cis-retinal para all-trans-retinal por fotoisomerização, e o branqueamento enquanto o retinal não volta à forma cis
  2. OpenStax, Anatomy and Physiology 2e — 14.2 Central Processing: a decussação dos axônios do lado medial da retina no quiasma óptico, o núcleo geniculado lateral do tálamo como escala obrigatória e o córtex visual do cérebro localizado no lobo occipital, com dois fluxos separados de processamento, um para o lobo temporal e outro para o lobo parietal

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026