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Guia da Saúde

Qual a força da mordida humana: 148 N, 553 N ou 1.109 N

Não existe um número único. A força da mordida humana muda com o dente medido e com o aparelho usado: numa revisão de literatura odontológica de 2010, o mesmo primeiro molar inferior registrou 148 N com folha sensível à pressão e 553 N com extensômetro unilateral, enquanto a soma da força de toda a arcada na folha chegou a 1.109 N.

Onde a mordida é medida

O ponto da arcada decide o resultado: quanto mais posterior o transdutor, maior a força registrada — é a regra que a revisão usa para separar molar, pré-molar e incisivo. Por isso um valor de mordida só significa alguma coisa junto com o dente em que foi obtido. A abertura da boca também entra na conta: a média populacional para desenvolver a maior força de mordida fica entre 14 e 20 mm de separação entre as arcadas, não com os dentes quase encostados. A dobradiça que sustenta esse esforço é a articulação temporomandibular, e quem produz a força é a musculatura que fecha a mandíbula, entre ela o masseter.

O que a força de mordida indica

A revisão trata a força máxima voluntária de mordida como um indicador do estado funcional do aparelho mastigatório: ela é o resultado da ação dos músculos mastigatórios, modificado pela biomecânica do sistema e por reflexos. Ou seja, o número não mede “força de músculo” isolada — mede o conjunto trabalhando, com a articulação, os dentes e o controle nervoso incluídos. Essa é a razão de a medição ser feita em condição padronizada, com aparelho, dente e abertura declarados.

Por que o número vai de 148 N a 1.109 N

Aqui está o dado que explica a confusão. Numa mesma comparação relatada pela revisão convivem três valores: 148 N no primeiro molar inferior medido com folha sensível à pressão (0,097 mm de espessura, dentes em intercuspidação), 553 N no mesmo primeiro molar medido com extensômetro unilateral (com 6 a 7 mm de abertura), e 1.109 N quando se soma a força de toda a arcada registrada na folha. Não são três respostas para a mesma pergunta — são três perguntas diferentes: um dente numa folha fina, um dente num sensor alto, e a arcada inteira somada.

Some a isso a faixa dos próprios equipamentos. Os aparelhos modernos baseados em extensômetro registram, em geral, entre 50 e 800 N, com exatidão de 10 N e precisão de 80% — essa faixa é do instrumento, não do ser humano, e nenhum deles cobre sozinho os 1.109 N da arcada somada. A conclusão da revisão é justamente a de considerar os fatores de método antes de comparar medições de estudos diferentes.

Quantos dentes dividem esse esforço você vê em quantos dentes tem um adulto; quem produz o esforço está em quantos músculos tem o corpo humano, outro número que só faz sentido com o critério declarado.

Perguntas frequentes

Quantos quilos-força são 553 N de mordida?

Cerca de 56 kgf. A conta é direta, porque o quilograma-força é definido como exatamente 9,806 65 N no guia do SI do NIST: 553 ÷ 9,80665 = 56,4 kgf. Pelo mesmo caminho, os 148 N do primeiro molar na folha sensível viram 15,1 kgf e os 1.109 N de arcada inteira viram 113,1 kgf. São conversões calculadas aqui a partir dos valores publicados, não medições independentes.

Morder com os dois lados dá mais força que morder de um lado só?

Dá. A revisão de Koc e colegas registra que a maior parte dos estudos encontrou força maior no apertamento bilateral do que no unilateral. É por isso que o protocolo precisa vir junto com o número: comparar um valor bilateral com um unilateral é comparar duas medidas diferentes.

A espessura do sensor muda o resultado?

Muda, e é um dos fatores que a revisão aponta para explicar a divergência entre estudos. A folha sensível à pressão usada nas medições citadas tem 0,097 mm de espessura e trabalha com os dentes em intercuspidação; o extensômetro daquela comparação trabalhou com 6 a 7 mm de abertura entre os dentes. Altura do transdutor e aparelho entram no valor final.

A força da mordida é a mesma a vida inteira?

Não. Segundo a mesma revisão, a força de fechamento da mandíbula aumenta com a idade e o crescimento, permanece razoavelmente constante dos 20 anos até os 40 ou 50, e depois declina. O texto também registra força máxima maior em homens do que em mulheres.

Fontes

  1. Koc D, Dogan A, Bek B — Bite Force and Influential Factors on Bite Force Measurements: A Literature Review, European Journal of Dentistry 4(2):223–232, 2010: sustenta os três valores comparados (1.109 N de força total na folha sensível à pressão, 148 N no primeiro molar inferior na mesma folha e 553 N no mesmo dente com extensômetro unilateral), a faixa de 50 a 800 N dos aparelhos modernos com exatidão de 10 N, o pico de força entre 14 e 20 mm de separação entre as arcadas, a regra de que quanto mais posterior o transdutor maior a força registrada, e as variações por sexo, idade e método
  2. NIST Guide to the SI, Appendix B.8 — Factors for Units Listed Alphabetically: sustenta a conversão exata usada nesta página, 1 kgf = 9,806 65 N

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026