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Guia da Saúde

Quem não pode tomar quebra-pedra: a lista

A monografia FT060 contraindica o quebra-pedra para gestantes, lactantes, menores de 18 anos e para quem tem hipersensibilidade aos componentes da formulação ou às espécies da família citada no documento. E acrescenta um grupo que o nome popular da planta torna quase irônico: quem tem cálculo renal de grandes dimensões.

A lista, como está escrita

Contraindicado:

  • menores de 18 anos — a advertência abre com “uso adulto” e depois fixa a idade;
  • gestação;
  • lactação;
  • hipersensibilidade aos componentes da formulação e às espécies da família Euphorbiaceae;
  • pessoas com cálculos renais de grandes dimensões, “pelo risco de obstrução dos canais urinários”.

Contraindicações extras que valem só para a tintura, por causa do teor alcoólico da formulação:

  • alcoolistas;
  • diabéticos — além de gestantes e lactantes, já cobertos acima.

Limites que não são contraindicação, mas são regra:

  • três semanas de uso, no máximo, com pausa de uma semana antes de repetir o ciclo;
  • não utilizar em doses acima das recomendadas;
  • suspender o uso e procurar um médico diante de qualquer evento adverso;
  • “ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado”.

O item que contraria o nome da planta

Vale ler a frase inteira, porque ela é o oposto do que o apelido promete:

“Pelo risco de obstrução dos canais urinários, é contraindicado o uso para pessoas com cálculos renais de grandes dimensões.”

O raciocínio é de encanamento, não de química. O efeito que a monografia atribui à planta é aumentar o fluxo urinário; se houver um cálculo grande no caminho, aumentar o fluxo contra um obstáculo é agravar o problema, não resolvê-lo. A planta apelidada de quebra-pedra é, portanto, contraindicada justamente para a pedra grande — e a indicação registrada, como está detalhado em quebra-pedra, nem sequer menciona cálculo renal.

O documento não define, em milímetros, o que é “grandes dimensões”. Quem sabe o tamanho da pedra é quem viu o exame de imagem, e essa é a conversa a ter antes de qualquer chá. O NIDDK, do NIH, publica a lista de sinais que pedem atendimento imediato em cálculo renal: dor aguda nas costas, no flanco, no baixo-ventre ou na virilha; sangue na urina; necessidade constante de urinar; dor ao urinar; incapacidade de urinar ou urinar muito pouco; náusea; vômito; febre e calafrios. Nenhum desses cenários é ocasião para chá — a dor de origem renal, aliás, é confundida com dor de coluna com frequência, assunto de dor nas costas ou nos rins: como diferenciar.

A cláusula de alergia aponta para uma família que já não é a da planta

Este é o item mais curioso da lista, e é preciso lê-lo com cuidado para não tirar a conclusão errada. A monografia contraindica o uso a quem tem hipersensibilidade “às espécies da família Euphorbiaceae. Só que, pela Flora e Funga do Brasil, Phyllanthus niruri L. está hoje classificada em Phyllanthaceae — uma família que foi segregada da Euphorbiaceae na revisão da ordem Malpighiales.

Em Euphorbiaceae permaneceram espécies como a mamona (Ricinus communis), que a mesma base registra nessa família. Perto do quebra-pedra, em Phyllanthaceae, ficaram os parentes diretos do gênero Phyllanthus.

A leitura correta amplia a cautela em vez de reduzi-la, e é assim que esta página a publica:

  • quem já reagiu a alguma Euphorbiaceae tem o aviso explícito do documento a seu favor;
  • quem já reagiu a alguma Phyllanthaceae — inclusive a outro Phyllanthus vendido como quebra-pedra — está no grupo de reatividade cruzada mais próximo, mesmo que o nome da família escrito na monografia seja o antigo.

Registrar a divergência taxonômica não afrouxa a contraindicação: a intenção do texto é clara e é sobre parentes botânicos. Quem tem histórico de alergia a planta leva a lista de nomes científicos para quem acompanha o caso.

Os três grupos com página própria

Gestação, lactação e menores de 18 anos entram na monografia numa única frase, com um único motivo: “devido à falta de dados adequados que comprovem a segurança nessas situações”. É uma contraindicação por ausência de estudo, não por dano demonstrado — o que muda o que se pode e o que não se pode dizer sobre cada um dos três. O detalhamento está em quebra-pedra na gravidez e em quebra-pedra para crianças.

O que não está na lista

Ser preciso vale nos dois sentidos. Não constam da monografia contraindicações por hipertensão, diabetes (fora da tintura), doença hepática, doença renal crônica ou idade avançada. O que existe para essas pessoas é outra coisa: uma exigência de acompanhamento médico quando há diuréticos, hipotensores, hipoglicemiantes ou insulina em uso, detalhada em quebra-pedra e remédios.

Planta medicinal tem dose, contraindicação e interação. As reações descritas para esta espécie estão em quebra-pedra: efeitos colaterais, e a proporção registrada de erva por xícara, em chá de quebra-pedra.

Perguntas frequentes

Quem tem pressão baixa pode tomar?

A monografia não lista hipotensão entre as contraindicações, mas cita hipotensão arterial como efeito de concentrações acima das recomendadas e manda usar a planta junto de hipotensores apenas sob acompanhamento médico. Quem já tende a pressão baixa tem motivo concreto para levar a pergunta a quem acompanha o caso, em vez de decidir sozinho.

Quem tem diabetes pode tomar o chá?

O chá não é contraindicado por diabetes, mas a monografia registra que a planta pode potencializar o efeito de medicamentos hipoglicemiantes e que o uso junto de hipoglicemiantes e insulina exige acompanhamento médico. Já a tintura é outra história: essa é contraindicada explicitamente para diabéticos, por causa do teor alcoólico da formulação.

Quem tem um único rim ou faz diálise pode?

Nenhuma dessas duas situações aparece na monografia — nem para liberar, nem para proibir. Ausência de menção não é liberação avaliada: significa que o documento não tratou do assunto. Em doença renal estabelecida, qualquer coisa que altere volume urinário e eletrólitos passa por quem acompanha o tratamento.

Pode tomar todo dia por tempo indeterminado?

Não. O limite escrito é de três semanas, e o texto acrescenta que, em tratamentos prolongados, o uso deve ser interrompido por uma semana após cada período de três semanas. É um dos prazos mais curtos do Formulário de Fitoterápicos, e não é uma sugestão de bula genérica.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT060, Phyllanthus niruri L.: a advertência de uso adulto, a contraindicação por hipersensibilidade aos componentes da formulação e às espécies da família Euphorbiaceae, a contraindicação na gestação, na lactação e para menores de 18 anos por falta de dados adequados de segurança, a contraindicação para pessoas com cálculos renais de grandes dimensões pelo risco de obstrução dos canais urinários, a contraindicação adicional da tintura para alcoolistas e diabéticos e o limite de três semanas
  2. Flora e Funga do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro) — verbete de Phyllanthus niruri L.: a classificação atual da espécie na família Phyllanthaceae, e não em Euphorbiaceae, que é a família nomeada pela contraindicação por hipersensibilidade da monografia
  3. Flora e Funga do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro) — verbete de Ricinus communis L. (mamona): exemplo de espécie de uso corrente que a base registra na família Euphorbiaceae, a mesma nomeada pela cláusula de hipersensibilidade da monografia do quebra-pedra
  4. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK/NIH) — Kidney Stones: Symptoms & Causes: a lista de sintomas de cálculo renal (dor aguda nas costas, no flanco, no baixo-ventre ou na virilha; sangue na urina; necessidade constante de urinar; dor ao urinar; incapacidade de urinar ou urinar pouco; náusea; vômito; febre e calafrios) e a instrução de procurar um profissional de saúde imediatamente diante de qualquer um deles

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026