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Guia da Saúde

Exercício bom dia: como fazer, músculos e erros comuns

O exercício bom dia é uma dobradiça de quadril com a barra apoiada sobre o trapézio superior. Apesar da fama de exercício de posterior de coxa, quem mais trabalhou nele foram os eretores lombares: de 50,8% a 73,1% da ativação voluntária máxima, contra 26,2% a 39,9% do isquiotibial medial, em levantadores treinados usando de 50% a 90% do 1RM.

Como fazer o exercício bom dia passo a passo

  1. Apoie a barra sobre o trapézio superior, um pouco acima do acrômio — a posição de barra alta padronizada por Vigotsky e colegas (2015).
  2. Fique em pé no seu afastamento habitual, com os braços abduzidos e as mãos na barra, cotovelos fora da trajetória do tronco.
  3. Flexione o quadril e leve o tronco à frente. Sem receber instrução de profundidade, os participantes do estudo pararam em torno de 75° de flexão de quadril, e essa profundidade não mudou de 50% para 90% do 1RM.
  4. Deixe o joelho dobrar. Ele não fica travado: mediram-se 17,1° de flexão com 50% do 1RM e 24,8° com 90% — a única variável cinemática com efeito de carga (p menor que 0,001).
  5. Estenda o quadril até voltar de pé, na posição de início.

Músculos trabalhados

Entre os quatro músculos medidos em 2015, os eretores lombares tiveram a maior ativação média: 50,8% da contração voluntária máxima com 50% do 1RM e 73,1% com 80%. Os eretores torácicos vieram em seguida (46,4% a 69,6%). No posterior de coxa, o isquiotibial medial foi sempre mais ativo que o lateral — 26,2% a 39,9% contra 19,3% a 30,4%. McAllister e colegas (2014) acharam a mesma hierarquia interna a 85% do 1RM: semitendinoso bem acima do bíceps femoral.

Erros comuns

  • Contar o bom dia só como exercício de posterior. Pelos números acima, o tronco é quem mais trabalha.
  • Esperar que a lombar fique imóvel. Foram medidos de 25° a 27,5° de flexão lombar no ponto mais baixo, mesmo em treinados.
  • Achar que mais carga significa mais alongamento. Foi o contrário: quanto maior a carga, mais o joelho dobrou e menor o comprimento estimado do isquiotibial (1,124 vez o repouso com 50% do 1RM, 1,111 com 90%).
  • Usar o bom dia para maximizar isquiotibiais. Na comparação a 85% do 1RM, a ativação do posterior foi maior em outros dois exercícios.

Variações e alternativas

Se o alvo é a ativação dos isquiotibiais, McAllister e colegas (2014) mediram valores maiores no terra romeno e no glute-ham raise do que no bom dia e na mesa flexora, todos a 85% do 1RM. Dentro do mesmo padrão de dobradiça de quadril, o stiff tem página própria, e o guia de exercícios para posteriores de coxa reúne as demais opções.

Perguntas frequentes

O bom dia é o mesmo exercício que o stiff?

Não. No protocolo medido por Vigotsky e colegas (2015), a barra do bom dia fica apoiada sobre o trapézio superior, um pouco acima do acrômio, e é o tronco que desce à frente; o stiff é um levantamento terra, com a barra nas mãos. Os números desta página foram medidos no bom dia com barra alta e não valem para o stiff, que não entrou nesse estudo.

Precisa manter a coluna totalmente neutra no bom dia?

Na prática medida, ela não fica. Os 15 homens treinados do estudo de 2015 executaram o movimento como fariam no treino, sem instrução de postura nem de profundidade, e o ponto mais baixo registrou de 25° a 27,5° de flexão lombar. Os autores concluem que a coluna não permanece neutra durante o exercício, movendo-se em flexão e extensão. É a descrição do que acontece, não uma recomendação de técnica.

O bom dia previne lesão de posterior de coxa?

O estudo não testou isso. Vigotsky e colegas levantam a hipótese de que o caráter excêntrico e o alongamento do bom dia possam ter esse papel, mas o que eles mediram foi ativação elétrica, ângulos articulares e comprimento estimado do músculo — nenhum desfecho de lesão. Tratar a hipótese como resultado seria ir além do que o dado sustenta.

O bom dia alonga mais os isquiotibiais do que correr?

Pelo comprimento estimado por modelo, sim, nas cinco cargas testadas: no fundo do bom dia os valores ficaram entre 1,091 e 1,126 vez o comprimento de repouso, acima dos estimados durante o sprint (1,075 a 1,098). É cálculo a partir dos ângulos medidos, não medição direta do músculo.

Qual carga foi usada nos estudos do bom dia?

Vigotsky e colegas (2015) testaram uma repetição com 50, 60, 70, 80 e 90% do 1RM, em ordem aleatória e com dois minutos de descanso entre elas. McAllister e colegas (2014) usaram 85% do 1RM. São condições de experimento para poder comparar, não prescrição de treino.

Fontes

  1. Vigotsky AD, Harper EN, Ryan DR, Contreras B — Effects of load on good morning kinematics and EMG activity, PeerJ 3:e708, 2015: 15 homens treinados executaram o bom dia com barra alta a 50, 60, 70, 80 e 90% do 1RM; eretores lombares 50,8% a 73,1% da CVM, eretores torácicos 46,4% a 69,6%, isquiotibial medial 26,2% a 39,9% e lateral 19,3% a 30,4%; flexão lombar de 25° a 27,5° e de quadril de 74,7° a 75,8° no ponto mais baixo; flexão de joelho de 17,1° (50%) a 24,8° (90%), única variável cinemática com efeito de carga; comprimentos estimados dos isquiotibiais acima dos do sprint
  2. McAllister MJ, Hammond KG, Schilling BK, Ferreria LC, Reed JP, Weiss LW — Muscle Activation During Various Hamstring Exercises, Journal of Strength and Conditioning Research 28(6), 2014: comparação a 85% do 1RM entre flexora deitada, bom dia, glute-ham raise e terra romeno; a atividade dos isquiotibiais foi maximizada no terra romeno e no glute-ham raise, e o semitendinoso foi bem mais ativo que o bíceps femoral em todos os exercícios
  3. NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed. (Human Kinetics): o good morning consta do catálogo de exercícios de membros inferiores da associação, ao lado do stiff-leg deadlift e do romanian deadlift

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026