Exercícios para posteriores de coxa: quadril e joelho
Os exercícios de posterior de coxa se dividem em dois grupos, e a divisão aparece na medição. Bourne e colegas (2017) compararam 10 exercícios com eletromiografia: na fase excêntrica, os que dobram o quadril ficaram acima de 1,0 na razão entre bíceps femoral e isquiotibiais mediais, e os que dobram o joelho ficaram abaixo de 1,0. Um não substitui o outro.
Como escolher os exercícios para posteriores de coxa passo a passo
- Parta da função dupla: o grupo estende o quadril e flexiona o joelho, e cruza as duas articulações — menos a cabeça curta do bíceps femoral, que só cruza o joelho (StatPearls).
- Escolha um do padrão de dobradiça. A NSCA agrupa aqui o levantamento terra, o terra romeno, o stiff, o exercício bom dia e a hiperextensão lombar.
- Escolha um de flexão de joelho. O catálogo de técnica da NSCA cobre a mesa flexora, a cadeira flexora, a flexão nórdica e o glute ham raise.
- Deixe um ou dois exercícios unilaterais na sessão — é a recomendação do material de programação da NSCA (PTQ 10.4.4) para os padrões de quadril.
Músculos trabalhados
São três músculos: bíceps femoral (cabeças longa e curta), semitendíneo e semimembranáceo. A repartição entre eles muda com o exercício. Na ressonância funcional de Bourne e colegas, a razão entre a resposta da cabeça longa do bíceps femoral e a do semitendíneo foi 0,96 na hiperextensão a 45° e 0,23 na flexão nórdica — na nórdica, o semitendíneo respondeu mais de quatro vezes mais. A cabeça curta, única que não cruza o quadril, foi a que menos reagiu ao exercício de quadril.
Erros comuns
- Trocar dobradiça por flexora achando que é o mesmo estímulo. Na fase excêntrica, a razão bíceps femoral/mediais foi 1,5 na hiperextensão a 45° e 0,8 na nórdica e na ponte de joelho dobrado — extremos opostos da mesma escala.
- Contar o afundo como exercício de posterior. Ele teve a menor amplitude de bíceps femoral dos dez (21,4% ± 7,4% da contração máxima), e os próprios autores consideram esse nível provavelmente insuficiente como estímulo para o músculo.
- Transferir número de uma variação para a vizinha. Cada valor é da execução testada; flexora deitada e sentada, por exemplo, têm comparação própria.
- Esperar isolamento. O padrão de dobradiça treina junto a porção inferior do glúteo máximo — daí a sobreposição com o guia de glúteos.
Variações e alternativas
As pontes testadas no estudo estão em ponte de glúteo e elevação pélvica; o levantamento terra sumo abre a base da dobradiça. Para somar as séries da semana, use a calculadora de volume semanal; o grupo da frente da coxa fica no guia de quadríceps.
Perguntas frequentes
Posterior de coxa e isquiotibiais são a mesma coisa?
São o mesmo grupo com nomes diferentes: posterior de coxa é o nome popular; isquiotibiais é o nome anatômico do conjunto formado por bíceps femoral, semitendíneo e semimembranáceo, descrito no StatPearls como o compartimento posterior da coxa.
O que significa a razão de ativação usada nesses estudos?
É a atividade elétrica do bíceps femoral dividida pela dos isquiotibiais mediais, cada uma normalizada pela contração isométrica máxima do voluntário. Valor acima de 1,0 indica que o lado externo esteve mais ativo que o interno; abaixo de 1,0, o contrário. Não é medida de carga nem de resultado de treino.
Dá para treinar posterior de coxa sem máquina?
Dá. Entre os dez exercícios comparados por Bourne e colegas (2017), a nórdica e o glute ham raise foram feitos sem carga externa — só com o peso do corpo na descida — e as pontes unilaterais também dispensam equipamento de academia.
Quantas séries por semana esse grupo aguenta?
Não existe número universal. O material da NSCA (PTQ 10.4.4) registra 10 a 25 séries por grupo muscular por semana como a faixa que aparece na literatura, e ressalva que o valor depende de quanto cada pessoa recupera. Para somar o seu volume atual, use a calculadora de volume semanal por grupo muscular.
Exercício de posterior de coxa também treina glúteo?
No padrão de dobradiça de quadril, sim: a classificação da NSCA coloca levantamento terra, extensão de tronco e hiperextensão reversa no mesmo grupo, que treina os posteriores de coxa junto da porção inferior do glúteo máximo.
Fontes
- Bourne MN, Williams MD, Opar DA, Al Najjar A, Kerr GK, Shield AJ — Impact of exercise selection on hamstring muscle activation, British Journal of Sports Medicine 51(13):1021-1028, 2017 (versão aberta no repositório da QUT): comparação de 10 exercícios em 24 homens fisicamente ativos; na fase excêntrica a razão bíceps femoral/isquiotibiais mediais foi 1,5 na hiperextensão a 45° e 0,8 na nórdica e na ponte de joelho dobrado; na ressonância funcional, a razão entre a resposta do bíceps femoral (cabeça longa) e a do semitendíneo foi 0,96 na hiperextensão e 0,23 na nórdica; o afundo teve a menor amplitude de bíceps femoral (21,4% ± 7,4% da contração máxima)
- Hodge A — Program Design Considerations for Optimal Strength and Hypertrophy of the Glute Muscles, NSCA PTQ 10.4.4, 2023: o padrão hinge/pull (levantamento terra, extensão de tronco, hiperextensão reversa) treina os posteriores de coxa junto da porção inferior do glúteo máximo; recomenda 1 a 2 exercícios unilaterais na sessão e registra 10 a 25 séries por grupo muscular por semana como faixa da literatura
- NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed. (Human Kinetics): o sumário público lista os exercícios de posterior de coxa do catálogo da associação — Romanian deadlift, stiff-leg deadlift, good morning, seated e lying leg curl, Nordic hamstring curl e glute ham raise
- Vaughn JE, Cohen-Levy WB — Anatomy, Bony Pelvis and Lower Limb: Posterior Thigh Muscles, StatPearls (NCBI Bookshelf): os isquiotibiais são bíceps femoral (cabeças longa e curta), semitendíneo e semimembranáceo; todos cruzam quadril e joelho, exceto a cabeça curta do bíceps femoral, e o grupo estende o quadril e flexiona o joelho
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026