Flexão nórdica: como fazer, músculos e erros comuns
Na flexão nórdica você ajoelha com os tornozelos presos e desce o tronco freando com os posteriores da coxa. O trabalho é maior do que parece: em 16 homens, o torque de pico no joelho foi de 96,8 a 163,5 N·m durante o exercício, contra 50,7 a 109,4 N·m de torque excêntrico máximo voluntário medido em dinamômetro isocinético a 30°/s.
Como fazer a flexão nórdica passo a passo
- Ajoelhe com os joelhos a 90° de flexão, sobre uma superfície acolchoada, e peça que prendam seus tornozelos logo acima dos maléolos laterais — é o ponto de fixação usado no protocolo de laboratório.
- Estenda os quadris e alinhe o tronco com as coxas, com os braços cruzados sobre o peito.
- Incline o corpo para a frente devagar: no estudo de 2022, a descida da posição ajoelhada até o chão levava 3 segundos, cerca de 30° por segundo.
- Resista o quanto conseguir. A exigência cresce durante a descida porque aumenta o braço de momento do seu centro de massa em relação ao joelho.
- Ao chegar no ponto de quebra, quando a velocidade dispara e o controle acaba, amorteça a chegada ao chão com as mãos e termine de bruços.
Músculos trabalhados
O motor são os isquiotibiais, mas eles não trabalham em bloco. Bourne e colegas (2017) mediram 10 exercícios em 24 homens e a flexão nórdica ficou com a menor razão de ativação lateral/medial na fase excêntrica; na ressonância funcional, a razão entre bíceps femoral (cabeça longa) e semitendíneo foi menor na nórdica que na extensão de quadril a 45° (p < 0,001). Traduzindo: aqui quem mais responde é o semitendíneo, o isquiotibial medial.
Erros comuns
- Deixar o corpo cair em vez de frear. A fase excêntrica controlada é o exercício inteiro; no protocolo padronizado ela dura 3 segundos.
- Flexionar o quadril, sentando para trás durante a descida. A posição medida exige quadris estendidos e tronco alinhado com as coxas.
- Fixar o tornozelo no lugar errado ou de forma frouxa: a pegada é acima dos maléolos.
- Usar a nórdica como teste de força excêntrica. Em Nishida e colegas (2022) não houve correlação significativa entre o torque na nórdica e o torque excêntrico máximo no dinamômetro (r = 0,24 a 0,30; p = 0,26 a 0,40) — são medidas diferentes.
Variações e alternativas
Se o ponto de quebra chega quase imediatamente, a versão em aparelho do mesmo padrão, o glute ham raise, permite variar o apoio, e a mesa flexora entrega flexão de joelho com carga graduável em vez de peso corporal. Vale lembrar que a nórdica não cobre o padrão de quadril: no estudo de arquitetura muscular de 10 semanas, o volume do bíceps femoral cresceu mais com extensão de quadril do que com a nórdica, embora o alongamento dos fascículos tenha sido parecido — motivo para manter um movimento de dobradiça, como o terra romeno ou o stiff, na mesma rotina. O guia de exercícios para posteriores de coxa reúne as demais opções.
Perguntas frequentes
Dá para fazer flexão nórdica sozinho, sem parceiro?
O tornozelo precisa ficar preso a um ponto fixo, e é isso que define o exercício. No protocolo de Nishida e colegas (2022) as pernas eram fixadas por braçadeiras logo acima dos maléolos laterais, em um aparelho próprio; um parceiro segurando a mesma região cumpre o papel. Sem essa fixação o movimento vira outra coisa, porque o corpo não gira em torno do joelho.
A flexão nórdica previne lesão de posterior de coxa?
Em atletas, a revisão de van Dyk, Behan e Whiteley (2019) reuniu 15 estudos e 8.459 participantes e encontrou razão de risco de 0,49 (IC 95% 0,32 a 0,74; p=0,0008) nos programas de prevenção que incluíam o exercício — cerca de metade da taxa de lesão. O resultado é de programas completos aplicados a equipes, não uma garantia individual para quem faz o exercício isolado.
O que é o 'ponto de quebra' da flexão nórdica?
É o ângulo de joelho em que a pessoa deixa de controlar a descida. Nishida e colegas (2022) definiram esse instante de forma objetiva: o primeiro momento em que a velocidade angular da queda ultrapassa a média mais dois desvios-padrão da velocidade de descida controlada. A partir dali o corpo cai, não desce.
A flexão nórdica muda o comprimento dos fascículos do posterior?
Em 10 semanas, no estudo de Bourne e colegas com 30 homens, tanto a flexão nórdica quanto o exercício de extensão de quadril alongaram os fascículos do bíceps femoral (cabeça longa), sem diferença estatística entre os dois. A diferença apareceu no volume: essa cabeça cresceu mais no grupo de extensão de quadril.
Quantas repetições de flexão nórdica devo fazer?
Volume e progressão dependem de avaliação individual, e esta página não prescreve série nem repetição. Se você já treina, a calculadora de volume semanal de treino por grupo muscular ajuda a somar o que você faz por semana para posteriores de coxa antes de acrescentar mais um exercício.
Fontes
- Nishida S, Nakamura M, Kiyono R, Sato S, Yasaka K, Yoshida R, Nosaka K — Relationship between Nordic hamstring strength and maximal voluntary eccentric, concentric and isometric knee flexion torque, PLOS ONE 17(2): e0264465, 2022: descrição do posicionamento (joelhos a 90°, tornozelos presos acima dos maléolos laterais, quadris estendidos, braços cruzados), descida em 3 s (~30°/s), definição do ponto de quebra e torque de pico de 96,8 a 163,5 N·m na flexão nórdica contra 50,7 a 109,4 N·m de torque excêntrico máximo isocinético a 30°/s em 16 homens
- Bourne MN, Williams MD, Opar DA, Al Najjar A, Kerr GK, Shield AJ — Impact of exercise selection on hamstring muscle activation, British Journal of Sports Medicine 51(13): 1021-1028, 2017: em 24 homens, a flexão nórdica teve a menor razão de ativação lateral/medial dos isquiotibiais na fase excêntrica e, na ressonância funcional, razão bíceps femoral (cabeça longa)/semitendíneo menor que a da extensão de quadril a 45° (p < 0,001)
- Bourne MN, Duhig SJ, Timmins RG et al. — Impact of the Nordic hamstring and hip extension exercises on hamstring architecture and morphology, British Journal of Sports Medicine, 2017: em 10 semanas com 30 homens, os dois exercícios alongaram os fascículos do bíceps femoral sem diferença entre si, mas o volume dessa cabeça aumentou mais com a extensão de quadril
- van Dyk N, Behan FP, Whiteley R — Including the Nordic hamstring exercise in injury prevention programmes halves the rate of hamstring injuries, British Journal of Sports Medicine 53: 1362-1370, 2019: 15 estudos e 8.459 atletas, razão de risco de 0,49 (IC 95% 0,32 a 0,74; p=0,0008) a favor dos programas que incluíram o exercício
- NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed. (Human Kinetics): a flexão nórdica (Nordic hamstring curl) consta no catálogo de exercícios de membros inferiores da associação
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026