Remada cavalinho: como fazer, músculos e erros comuns
A remada cavalinho é uma puxada horizontal em que a barra funciona como alavanca: uma das pontas fica fixa no chão — no encaixe do landmine ou no aparelho — e você puxa a outra. Por isso o peso sobe descrevendo um arco, e não em linha reta como na remada curvada com a barra solta nas mãos.
Como fazer a remada cavalinho passo a passo
- Prenda uma ponta da barra no encaixe de landmine e coloque as anilhas na ponta livre — ou entre no aparelho, apoiando o peito no coxim quando ele existir.
- Fique de pé sobre a barra, um pé de cada lado, com os pés na largura do quadril.
- Incline o tronco à frente pelo quadril, com os joelhos semiflexionados e a coluna neutra: nem arredondada, nem forçada em extensão.
- Encaixe o pegador em V logo abaixo das anilhas e segure com os braços estendidos, ombros soltos para baixo.
- Puxe levando os cotovelos para trás e para perto do tronco, até o pegador chegar perto do abdômen, aproximando as escápulas no fim do movimento.
- Devolva o peso acompanhando o arco da barra até estender os cotovelos, sem deixar o tronco ser puxado para baixo.
Músculos trabalhados
O alvo é o latíssimo do dorso: o trapézio, os romboides e o deltoide posterior puxam a escápula para trás e os bíceps braquiais flexionam o cotovelo. Essa lista é parecida com a de qualquer remada — o que muda aqui não é quem trabalha, é como a carga chega. A barra é uma alavanca presa por uma ponta (é assim que a NSCA define a remada landmine): parte do peso das anilhas fica sustentada pelo encaixe no chão, e o que sobra para as mãos muda de intensidade ao longo do arco. Consequência prática: o número escrito nas anilhas não se compara ao de uma remada com a barra solta.
Com o tronco inclinado, eretores da espinha e extensores do quadril trabalham de forma isométrica só para segurar a posição — e é exatamente essa parcela que desaparece na versão deitada, de peito apoiado. A distinção importa na hora de estimar carga. A única medição que as fontes desta página trazem com o nome desta remada é de Schwingel e colegas (JSCR, 2009), e foi feita na versão deitada: em nove remadores paralímpicos, o 1RM estimado por equações a partir de cargas submáximas não diferiu do 1RM medido no teste máximo (p = 0,84). Foi medido com o peito apoiado e o tronco fora da equação — nada nesse resultado autoriza transportá-lo para a cavalinho em pé, em que a fadiga dos eretores entra na conta antes das costas.
O material de programação da NSCA classifica a remada landmine como puxada horizontal — o “segundo ângulo de puxada” —, em oposição às puxadas verticais, e a lista entre os exercícios compostos da tabela de progressão de remadas.
Erros comuns
- Puxar com impulso do tronco. Se o corpo sobe junto com o peso, a série virou movimento de quadril com ajuda dos braços.
- Coluna arredondada. Perder a posição neutra do tronco é o sinal de que a carga passou do ponto.
- Amplitude curta. Anilha demais encurta o trajeto: o pegador precisa chegar perto do abdômen e os braços precisam voltar a estender.
- Insistir na linha reta. A barra é uma alavanca e a mão descreve um arco — puxar verticalmente briga com a trajetória do movimento.
Variações e alternativas
Na versão deitada, o peito fica apoiado num banco inclinado e o tronco sai da equação — é a montagem descrita acima, e a que serve de referência para estimar a carga máxima na calculadora de 1RM sem fazer o teste direto.
A alternativa mais próxima com barra livre é a remada curvada, que exige mais do tronco por não ter ponto fixo; a remada baixa faz o mesmo padrão sentado. Se puxar o próprio peso ainda é o limite, a remada invertida é o degrau anterior na tabela de progressão da NSCA, que coloca a cavalinho entre os movimentos compostos.
Entre essas duas últimas há medição direta, e ela vale para elas, não para esta página: Fenwick e colegas (JSCR, 2009) compararam remada invertida, remada curvada em pé e remada unilateral na polia em sete homens, e a remada invertida foi a que mais ativou latíssimo do dorso, dorso alto e extensores do quadril entre as três. A remada cavalinho não estava entre os exercícios medidos. O guia de exercícios para costas reúne as demais opções do grupo.
Perguntas frequentes
Remada cavalinho, remada T e landmine row são a mesma coisa?
São o mesmo movimento com nomes diferentes. "Landmine row" é o nome genérico da remada feita com a barra presa por uma ponta, e a remada T (T-bar row) é a versão em que se puxa um pegador em V encaixado perto das anilhas. No Brasil, "remada cavalinho" cobre tanto essa montagem quanto o aparelho com apoio de peito.
Dá para fazer remada cavalinho sem o aparelho da academia?
Dá. Basta prender uma ponta da barra no encaixe de landmine ou encaixá-la firmemente no canto de uma parede protegida, colocar as anilhas na ponta livre e puxar com um pegador em V. É essa montagem que a NSCA descreve como remada landmine, e ela aparece entre as puxadas horizontais recomendadas no material de programação da entidade.
Quantas séries e repetições de remada cavalinho fazer?
Não existe número único: depende do objetivo e do resto do treino. Como referência publicada, o programa de preparação de recrutas de bombeiros do TSAC Report 70 da NSCA (2023) prescreve a remada cavalinho em 4 séries de 8 a 12 repetições dentro de uma sessão de membros superiores.
É seguro estimar o 1RM da remada cavalinho sem fazer o teste máximo?
A evidência disponível é favorável, mas pequena e específica. Schwingel e colegas (JSCR, 2009) testaram nove remadores paralímpicos e não encontraram diferença estatística entre o 1RM medido e o estimado a partir de cargas submáximas — com os mesmos atletas, no leg press, o método falhou (p < 0,01). O teste foi feito na versão deitada, de peito apoiado: é indício, não regra, e não foi verificado na cavalinho em pé.
A remada cavalinho substitui a barra fixa?
Não, porque o ângulo de puxada é outro. O material da NSCA separa puxada vertical (barra fixa, puxada na polia) de puxada horizontal (remadas), e trata os dois como componentes distintos do treino de costas — a remada cavalinho entra no segundo grupo.
Fontes
- Lincoln MA, Sapstead GW, Moore KN, Weldon A — Exercise Technique: The Landmine Row, Strength and Conditioning Journal 45(3):371–378, 2023: define a remada landmine (cavalinho) como puxada de membros superiores em que a barra funciona como alavanca
- Linkul R — Strength Training for the Older Client: A Blueprint for Program Design, NSCA Personal Training Quarterly 5.1: classifica a remada landmine como puxada horizontal (segundo ângulo de puxada) e coloca a remada cavalinho na coluna de exercícios compostos da tabela de progressão de remadas
- Schwingel PA, Porto YC, Dias MC, Moreira MM, Zoppi CC — Predicting One Repetition Maximum Equations Accuracy in Paralympic Rowers with Motor Disabilities, JSCR 23(3):1045–1050, 2009: equações de previsão de 1RM não diferiram do teste máximo na remada cavalinho deitada (p = 0,84)
- Bonder I, Shim A, Waller M, Wheeler T — Preparing Firefighter Recruits to Successfully Pass and Tolerate the Demands of the CPAT, NSCA TSAC Report 70, 2023: exemplo publicado de programação da remada cavalinho (4 séries de 8 a 12 repetições)
- Fenwick CMJ, Brown SHM, McGill SM — Comparison of Different Rowing Exercises, JSCR 23(2):350–358, 2009: comparou três exercícios em sete homens — remada invertida, remada curvada em pé e remada unilateral na polia em pé —, e a remada invertida gerou a maior ativação de latíssimo do dorso, dorso alto e extensores do quadril entre eles; a remada cavalinho não foi medida
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 25 de julho de 2026