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Guia da Saúde

Sabugueiro na gravidez: por que é contraindicado

A resposta prática é curta: não se toma sabugueiro na gravidez nem na amamentação, e a monografia brasileira usa a palavra contraindicado. A resposta honesta é um pouco mais longa — e mostra que a proibição se apoia em ausência de estudo, não em dano demonstrado.

O que cada documento escreveu, exatamente

DocumentoFrase sobre gestação e lactação
Formulário de Fitoterápicos, FT072”O uso é contraindicado durante a gestação e lactação”
Monografia da EMA, seção 4.6”Safety during pregnancy and lactation has not been established. In the absence of sufficient data, the use during pregnancy and lactation is not recommended.”
NCCIH (NIH)“Little is known about whether it’s safe to use elderberry for health purposes during pregnancy or while breastfeeding.”

Os três dizem a mesma coisa na prática, mas com força diferente. O texto brasileiro credita a contraindicação, entre outras fontes, à monografia europeia de 2018 — e a europeia, no ponto citado, diz não recomendado por falta de dados suficientes, que é uma categoria distinta de contraindicado.

A lacuna tem tamanho, e o relatório o declara

Não é uma suposição de leitura. O relatório de avaliação da própria EMA registra, sobre a flor de sabugueiro, que não há estudo de toxicidade reprodutiva, genotoxicidade ou carcinogenicidade disponível, e conclui que, pela falta de dados de segurança suficientes, o uso não pode ser recomendado na gestação e na lactação. A monografia repete a mesma constatação na seção de dados pré-clínicos: “Tests on reproductive toxicity, genotoxicity and carcinogenicity have not been performed.”

Ou seja: ninguém testou a planta em gestação. Não há estudo negativo escondido, nem relato de malformação, nem sinal de aborto na literatura levantada — há um vazio. E é justamente por isso que a decisão conservadora se sustenta: numa gestação, a ausência de dado não é neutra, é motivo para não expor.

A tintura está duas vezes fora

Há uma camada extra que quase ninguém lê. Além da contraindicação geral, a FT072 escreve que a tintura e o extrato fluido são especialmente contraindicados para gestantes e lactantes — e o motivo declarado não é a planta, é o teor alcoólico da formulação, que é de álcool etílico a 25%.

Não existe consumo de álcool considerado seguro na gestação, e é isso que faz dessa segunda camada a mais objetiva de todas. A conta de quanto álcool há numa dose diária de tintura está em tintura de sabugueiro.

E a espécie brasileira?

Também é contraindicada, mas o texto da monografia dela é diferente em dois pontos que importam: diz o motivo com todas as letras e registra um efeito específico sobre a amamentação que a FT072 não menciona. A comparação está em sabugueiro-do-brasil na gravidez.

Enquanto isso, o quadro que levou à busca continua existindo, e o resfriado na gestação tem manejo próprio — que se discute no pré-natal, não no armário de chás. O que costuma diferenciar resfriado de gripe está em gripe e resfriado: as diferenças, e a lista completa de quem não pode usar a planta em quem não pode tomar sabugueiro.

Planta medicinal tem dose, contraindicação e interação — e na gestação a contraindicação vem antes de qualquer dose.

Perguntas frequentes

Tomei chá de sabugueiro sem saber que estava grávida. E agora?

Não há, na literatura levantada pelos reguladores, relato de dano atribuído à flor de sabugueiro na gestação — o que existe é ausência de estudo. Isso não autoriza continuar, mas também não é motivo para pânico retrospectivo. O caminho é contar ao pré-natal, com a informação de qual preparação e por quantos dias, e suspender o uso.

E se for só um golinho, ou um chá misturado?

A contraindicação da monografia não estabelece dose mínima segura, porque não existe dado para estabelecê-la. Chás compostos são um problema à parte: muitos rótulos de mistura não trazem nome científico nem proporção, então não dá para saber quanto de sabugueiro há na xícara nem qual das duas espécies foi usada.

Vale para quem está tentando engravidar?

A monografia europeia registra, na mesma seção, que não há dado de fertilidade disponível. Não é uma contraindicação para quem tenta engravidar, é uma lacuna declarada. A contraindicação escrita cobre gestação e lactação.

Existe chá liberado no pré-natal?

Depende da planta e de quem acompanha a gestação — algumas monografias do mesmo Formulário permitem uso na gestação, outras contraindicam. Não existe uma regra única para chá, e a resposta certa é a do documento da espécie, conferida com quem faz o pré-natal.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT072, Sambucus nigra L.: a frase de que o uso é contraindicado durante a gestação e a lactação e a contraindicação reforçada da tintura e do extrato fluido para gestantes e lactantes em função do teor alcoólico da formulação
  2. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Sambucus nigra L., flos (EMA/HMPC/611512/2016), seção 4.6: a frase de que a segurança durante a gestação e a lactação não foi estabelecida e de que, na ausência de dados suficientes, o uso não é recomendado, além do registro de que não há dado de fertilidade
  3. European Medicines Agency (HMPC) — Assessment report on Sambucus nigra L., flos (EMA/HMPC/611504/2016): a constatação de que não há estudo de toxicidade reprodutiva, genotoxicidade ou carcinogenicidade disponível para Sambucus nigra flos e a conclusão de que o uso não pode ser recomendado na gestação e na lactação por falta de dados de segurança suficientes
  4. NCCIH — National Center for Complementary and Integrative Health (NIH), verbete Elderberry: a frase de que pouco se sabe sobre a segurança do uso de sabugueiro para fins de saúde durante a gestação ou a amamentação

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026