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Guia da Saúde

Tintura de hortelã-pimenta: fórmula e dose oficiais

A tintura de hortelã-pimenta registrada é 20 g de folha com álcool etílico a 45% ou a 70%, completando 100 mL, e a dose é de 2 a 3 mL diluídos em 50 mL de água, três vezes ao dia. É preparação de uso adulto, e a contraindicação por idade sobe para 18 anos — não por causa da planta, mas do álcool.

Duas tinturas, mesma planta, mesma dose

Diferente do que acontece em outras espécies do Formulário, as duas fórmulas alcoólicas da hortelã-pimenta não se separam por indicação nem por posologia. A única diferença entre elas é a graduação do solvente:

Fórmula 3Fórmula 4
Folha seca20 g20 g
Álcool etílico45% q.s.p. 100 mL70% q.s.p. 100 mL
Dose2 a 3 mL em 50 mL de água2 a 3 mL em 50 mL de água
Frequência3 vezes ao dia3 vezes ao dia
Indicaçãosintomas dispépticos, tal como flatulênciaa mesma

Compare com a tintura de gengibre, em que trocar o solvente muda a indicação registrada: ali, 40% e 80% de álcool geram preparações com finalidades diferentes no mesmo documento. Na hortelã, não — as duas graduações desembocam no mesmo uso.

20 g em 100 mL é exatamente 1:5, e a Europa registra o mesmo número

Este é o encaixe mais limpo entre os dois documentos que aparece nesta planta. Vinte gramas de folha para cem mililitros de produto final é a proporção 1:5. E a monografia europeia da folha lista, entre as preparações de uso tradicional, exatamente duas tinturas:

  • 1:5, etanol 45% (V/V);
  • 1:5, etanol 70% (V/V).

A posologia europeia também bate: 2,0 a 3,0 mL, três vezes ao dia, para adultos e idosos. Ou seja, a fórmula brasileira não é uma adaptação — é a mesma preparação, com a mesma dose.

O que o documento brasileiro acrescenta e o europeu não traz é a diluição: os 2 a 3 mL devem ser tomados diluídos em 50 mL de água. Não é detalhe cosmético em uma preparação alcoólica que já tem advertência de irritação de mucosa.

O detalhe do conservante, reproduzido como está escrito

A monografia registra, nas orientações de preparo: “Em razão do baixo teor alcoólico da formulação 4, é recomendada a utilização de conservantes.”

Reproduzimos a frase como consta no documento, com uma observação de leitura: das duas fórmulas, a de menor graduação é a 3, com 45%, e não a 4, com 70%. A recomendação de conservante, tal como publicada, está atribuída à fórmula 4. Quem for seguir o texto ao pé da letra encontra essa inconsistência aparente — e a leitura prudente é que tinturas de graduação mais baixa exigem cuidado adicional de conservação, que é o princípio geral por trás da recomendação.

As duas fórmulas também remetem às técnicas de secagem do material vegetal e de preparo de tintura descritas no capítulo de generalidades do próprio Formulário. Não são um vidro de folha com álcool no armário: são um procedimento padronizado.

A lista de quem não pode é maior aqui do que no chá

Além de tudo o que vale para a planta — refluxo, cálculo biliar, obstrução de ducto biliar, dano hepático severo, litíase urinária, hipersensibilidade ao mentol —, a tintura tem uma restrição própria, e a monografia usa a palavra “especialmente” para ela:

O motivo declarado é um só, e está escrito: “em função do teor alcoólico na formulação”. Não é a hortelã que sobe a idade mínima de 4 para 18 anos — é o etanol. As idades de cada preparação estão comparadas em hortelã-pimenta para crianças.

Na Europa, essa preocupação virou obrigação de rótulo: tinturas e extratos que contenham etanol precisam trazer a rotulagem específica prevista na diretriz de excipientes.

Quem prefere a preparação sem álcool encontra as duas fórmulas de infusão, com gramatura e técnica, em chá de hortelã-pimenta. A lista completa de contraindicações fica em quem não pode tomar hortelã-pimenta.

Perguntas frequentes

Dá para fazer tintura de hortelã com vodca ou cachaça?

A fórmula especifica álcool etílico em concentração definida — 45% ou 70% — e folha seca preparada pela técnica do próprio documento. Destilado de mercado tem graduação diferente e traz outros componentes, o que muda o que é extraído e a estabilidade do produto. Mudando isso, a dose de 2 a 3 mL deixa de corresponder ao que foi registrado.

Quantas gotas são 2 mL de tintura?

A monografia dosa em mililitros, não em gotas, e não publica conversão. O volume de uma gota varia com o conta-gotas, com a viscosidade e com a graduação alcoólica do líquido, então contar gotas de um frasco qualquer não reproduz a dose registrada. Quem prepara em casa está sem a medida que o documento usa.

A tintura serve para as mesmas coisas que o chá?

Sim, e essa é uma particularidade desta planta. A linha de indicação do Formulário vale para as quatro fórmulas juntas: auxiliar no alívio de sintomas dispépticos, tal como flatulência. O que muda entre chá e tintura é a concentração, a forma de tomar e quem pode usar — não o objetivo.

Como guardar a tintura pronta?

O Formulário determina o acondicionamento em frasco de vidro âmbar e exige embalagem que proteja contra contaminação, luz e umidade, com lacre ou selo que garanta a inviolabilidade. O vidro âmbar barra parte da luz que degrada componentes da preparação, e a exigência é a mesma que vale para os demais fitoterápicos do documento.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT049, Mentha x piperita L. (folha): a fórmula 3 (20 g de folha, álcool etílico a 45% q.s.p. 100 mL) e a fórmula 4 (20 g de folha, álcool etílico a 70% q.s.p. 100 mL), a remessa às técnicas de secagem e preparo de tintura do capítulo de generalidades, a recomendação de conservantes, o acondicionamento em frasco de vidro âmbar, a posologia de 2 a 3 mL diluídos em 50 mL de água três vezes ao dia, a advertência de uso adulto e a contraindicação especial para menores de 18 anos, gestantes, lactantes, alcoolistas e diabéticos
  2. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Mentha x piperita L., folium: as preparações B e C, tinturas na proporção 1:5 com etanol a 45% e a 70%, a posologia de 2,0 a 3,0 mL três vezes ao dia para adultos e idosos, e a exigência de rotulagem específica para etanol prevista na diretriz de excipientes

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026