Cadeira flexora: como fazer, músculos e erros comuns
A cadeira flexora é a flexão de joelho feita sentado, com o quadril dobrado em torno de 90° — e esse ângulo é o que separa a máquina da irmã deitada. Em 12 semanas de treino, a perna que fez a versão sentada ganhou +14% de volume nos isquiotibiais; a outra perna da mesma pessoa, treinada deitada, ganhou +9%.
Como fazer a cadeira flexora passo a passo
- Sente-se com as costas no encosto e o quadril em cerca de 90° de flexão — é o ângulo fixado na condição sentada do estudo de Maeo e colegas (2021).
- Trave o quadril: no protocolo, cintos ajustáveis eram apertados sobre a pelve para impedir qualquer movimento extra durante a série.
- Comece com os joelhos estendidos (0°) e flexione até 90° — foi a amplitude padronizada nas duas versões da máquina, para que a comparação fosse justa.
- Leve 2 segundos para flexionar e 2 para estender, sem pausa entre as fases; os participantes seguiam um metrônomo a 60 bpm.
- Descanse antes da próxima série: o protocolo usou 2 minutos entre séries, em 5 séries de 10 repetições a 70% de 1RM, duas vezes por semana.
Músculos trabalhados
Três dos quatro isquiotibiais são biarticulares — cabeça longa do bíceps femoral, semitendíneo e semimembranáceo cruzam quadril e joelho. Com o quadril flexionado, eles trabalham mais alongados, e foi exatamente aí que a diferença apareceu: de +8% a +24% de volume na perna sentada contra +4% a +19% na deitada. A cabeça curta do bíceps femoral, que cruza só o joelho, ganhou +10% e +9% — sem diferença significativa, o que é a prova de que o efeito veio do ângulo do quadril e não da máquina em si.
Erros comuns
- Deixar o tronco cair para trás ao longo da série: isso abre o quadril e apaga justamente a característica que define a cadeira flexora.
- Encurtar a amplitude. Os números acima saíram de repetições completas, de 0° a 90°.
- Acelerar a volta. No protocolo, estender o joelho levava os mesmos 2 segundos da flexão.
- Achar que a versão sentada é melhor em tudo. Contra dano muscular, sentada e deitada protegeram igual.
Variações e alternativas
A variação direta é a mesa flexora, a mesma flexão de joelho com o quadril quase estendido. Sem máquina, o padrão continua na flexão nórdica e no glute ham raise. O artigo da NSCA sobre máquinas de membros inferiores defende somar a flexora a um exercício dominante de quadril — stiff, terra romeno ou levantamento terra —, porque os dois grupos são complementares. O movimento oposto na mesma família de máquinas é a cadeira extensora, e o guia de exercícios para posteriores de coxa reúne o resto.
Perguntas frequentes
Por que a posição sentada alonga mais os isquiotibiais?
Três dos quatro isquiotibiais cruzam duas articulações — quadril e joelho. Como explicam Maeo e colegas (2021), flexionar o quadril afasta a origem desses músculos da inserção e aumenta o comprimento em que eles trabalham. O quarto, a cabeça curta do bíceps femoral, cruza só o joelho e por isso não muda de comprimento quando o quadril se dobra.
A flexora sentada protege mais contra dor muscular que a deitada?
Não. Na segunda parte do estudo de 2021, depois de uma sessão só de fase excêntrica a 90% de 1RM, o marcador de dano (T2 na ressonância) do semitendíneo subiu 52% na perna destreinada, contra 4% na perna que treinou sentada e 6% na que treinou deitada — diferença grande entre treinar e não treinar, nenhuma diferença estatística entre as duas versões.
Flexora em máquina é um exercício 'não funcional'?
O artigo da NSCA que responde diretamente a essa crítica conclui que não, e recomenda um programa que combine exercícios dominantes de quadril com exercícios dominantes de joelho, porque cada grupo traz um benefício diferente. Vale registrar que a evidência de campo que esse artigo cita (Askling e colegas, 2003, com 30 jogadores suecos) foi obtida na flexora deitada, não na sentada.
Quanto tempo levou para aparecer a diferença de +14%?
Doze semanas, com duas sessões por semana — 24 sessões no total. Cada participante treinou uma perna sentado e a outra deitado, o que elimina a diferença entre pessoas: a comparação aconteceu dentro do mesmo corpo, com a mesma alimentação, o mesmo sono e a mesma rotina.
Dá para fazer o movimento da cadeira flexora sem a máquina?
O padrão de flexão de joelho tem versões sem máquina catalogadas pela NSCA, como a flexão nórdica e o glute ham raise. Elas não reproduzem o ângulo de quadril da cadeira flexora nem foram comparadas a ela nos estudos citados aqui, então funcionam como substitutas do padrão, não como equivalentes medidos.
Fontes
- Maeo S, Meng H, Yuhang W, Sakurai H, Kusagawa Y, Sugiyama T, Kanehisa H, Isaka T — Greater Hamstrings Muscle Hypertrophy but Similar Damage Protection after Training at Long versus Short Muscle Lengths, Medicine & Science in Sports & Exercise 53(4): 825-837, 2021 (ACSM): em 12 semanas, a perna que treinou flexora sentada ganhou +14% de volume nos isquiotibiais contra +9% da perna que treinou deitada; +8% a +24% contra +4% a +19% nos músculos biarticulares e +10% contra +9% (sem diferença) no monoarticular; na 2ª parte, a proteção contra dano muscular foi semelhante nas duas versões
- Maeo et al., 2021 — texto completo gratuito (PMC7969179): descreve o protocolo usado nas duas condições — quadril fixado em cerca de 90° na sentada e cerca de 30° na deitada, amplitude de joelho padronizada de 0° a 90°, cintos ajustáveis sobre a pelve, 2 s para cada fase guiados por metrônomo a 60 bpm, 5 séries de 10 repetições a 70% de 1RM, 2 sessões por semana, 2 minutos de descanso entre séries
- NSCA PTQ — Are the Seated Leg Extension, Leg Curl, and Adduction Machine Exercises Non-Functional or Risky?: refuta a ideia de que a flexora em máquina seja não funcional ou arriscada e defende combinar exercícios de quadril (como o levantamento terra) com exercícios de joelho (como a flexora), por serem complementares; a evidência de campo citada (Askling et al., 2003, com 30 jogadores suecos) foi obtida na flexora DEITADA
- NSCA — Exercise Technique Manual for Resistance Training, 4ª ed. (Human Kinetics): a flexão de joelho sentado (Seated Leg [Knee] Curl) é um dos exercícios de membros inferiores catalogados pela associação, ao lado da versão deitada
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 31 de julho de 2026