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Guia da Saúde

Quem não pode tomar equinácea: a lista da Anvisa

A equinácea é vendida como planta de defesa do organismo, e a maior parte das suas restrições é exatamente sobre isso: quem tem o sistema imune doente ou freado por remédio não deve usar. A lista das três monografias do Formulário de Fitoterápicos é longa e nominal — inclui doença autoimune, imunossupressão, esclerose múltipla, tuberculose e infecção por HIV.

O bloco imunológico, com nome e sobrenome

As advertências das três monografias convergem numa mesma família de condições, e o texto europeu usa a redação que o brasileiro reproduz: “the use is not recommended in cases of progressive systemic disorders, autoimmune diseases, immunodeficiencies, immunosuppression and diseases of the white blood cell system.”

A FT024 vai além e cita casos por nome: tuberculose, colagenoses, doenças hematológicas relacionadas à série branca, esclerose múltipla, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e infecção por HIV. A FT026 repete a lista e acrescenta a palavra imunossupressão, que abrange quem usa medicamento para frear a própria defesa — situação de transplantados e de boa parte dos tratamentos reumatológicos.

Não é uma cautela genérica. A planta reivindica ação sobre o sistema de defesa, e o argumento é que mexer nesse sistema quando ele já está desregulado ou deliberadamente contido é imprevisível. O funcionamento normal desse sistema está descrito em como funciona o sistema imunológico, e o que a monografia europeia registra como risco associado a doença autoimune aparece em equinácea: efeitos colaterais.

A alergia vem em família: Asteraceae

A única contraindicação formal — a que ocupa a seção 4.3 das monografias europeias, e não a seção de advertências — é hipersensibilidade aos componentes da formulação e às espécies da família Asteraceae.

Isso é maior do que parece, porque a Asteraceae é uma das maiores famílias botânicas em uso medicinal. Quem já teve reação a uma delas precisa tratar as demais com o mesmo cuidado. Estão nessa família, entre as plantas já publicadas aqui, a camomila, a calêndula e a alcachofra.

Somam-se a isso os atópicos — pessoas com rinite, asma ou dermatite atópica. As monografias registram “possible risk of anaphylactic reactions in atopic patients”, e o texto brasileiro pede que essas pessoas consultem o médico antes de usar equinácea.

Diabetes: uma advertência que só o texto brasileiro traz

Este é o ponto em que o Formulário brasileiro vai além do europeu. A FT026 registra, citando o vademecum de Vanaclocha e Cañigueral: “em pessoas diabéticas pode provocar uma piora da situação metabólica.”

Vale separar duas restrições que costumam ser confundidas. A primeira é a do álcool: tintura e extrato fluido são desaconselhados a diabéticos por causa do teor alcoólico, e essa é uma regra geral do Formulário, válida para qualquer planta nessa forma farmacêutica. A segunda é esta, da FT026, que não fala de álcool e vale para a droga vegetal. As monografias europeias não trazem essa frase. Quem usa medicamento para diabetes encontra o quadro geral em chá e remédio de diabetes.

Idade, gestação e a forma farmacêutica

Três restrições fecham a lista, e elas mudam conforme a preparação:

  • menores de 12 anos: contraindicados em todas as três monografias, chá incluído — o detalhe está em equinácea para crianças;
  • gestantes e lactantes: contraindicadas nas formas orais, com o motivo declarado e o dado que há por trás dele em equinácea na gravidez;
  • tintura e extrato fluido: contraindicados a menores de 18 anos, alcoolistas e diabéticos, em função do teor alcoólico da formulação.

Antes de decidir sozinho

Se você tem doença autoimune, faz tratamento imunossupressor, é transplantado, vive com HIV ou tem alteração de glóbulos brancos, a resposta do documento é a mesma: não é recomendado, e a conversa é com o médico que acompanha o caso. Se surgir reação depois de tomar — inchaço de rosto ou lábios, falta de ar, urticária que se espalha —, isso é emergência: procure atendimento imediato.

O mapa das três monografias está em equinácea, e a lista das demais plantas com restrição em quem não pode tomar chá.

Perguntas frequentes

Quem tem rinite ou asma pode tomar equinácea?

É preciso conversar com o médico antes. As monografias registram risco possível de reação anafilática em pessoas atópicas, e o texto brasileiro pede que elas consultem o médico previamente. Não é uma proibição escrita, é uma exigência de avaliação individual antes do primeiro uso.

Quem faz transplante pode usar equinácea?

O uso não é recomendado. Quem recebeu transplante vive sob imunossupressão farmacológica, que é uma das situações listadas nominalmente nas advertências, e o Formulário ainda registra possível interação com a ciclosporina. Essa é uma decisão da equipe que acompanha o transplante, não do balcão da farmácia.

Idoso tem alguma restrição específica?

Não há restrição por idade avançada. O relatório de avaliação europeu registra que a maior parte dos estudos clínicos incluiu pacientes de até 65 anos e que não são conhecidas restrições para idosos no uso de preparações de Echinacea purpurea. O que pesa no idoso são as condições e os remédios de uso contínuo, não a idade em si.

A restrição vale também para a pomada?

A pomada tem lista própria e mais curta: hipersensibilidade aos componentes e às espécies da família Asteraceae, uso acima de 12 anos, e interrupção se aparecerem sinais de infecção na pele. É de uso externo, e não repete a lista das formas orais.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — advertências das monografias FT024, FT025 e FT026 de Echinacea: a contraindicação por hipersensibilidade aos componentes e às espécies da família Asteraceae, o uso não recomendado em imunodeficiências e doenças sistêmicas progressivas como tuberculose, colagenoses, doenças hematológicas da série branca, esclerose múltipla, AIDS e infecção por HIV, o risco de reação anafilática em atópicos, a contraindicação em gestação, lactação e menores de 12 anos, a restrição adicional de tintura e extrato fluido a menores de 18 anos, alcoolistas e diabéticos, e a frase de que em pessoas diabéticas pode provocar piora da situação metabólica
  2. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Echinacea purpurea (L.) Moench, radix (EMA/HMPC/424583/2016): a seção 4.4, que desaconselha o uso em distúrbios sistêmicos progressivos, doenças autoimunes, imunodeficiências, imunossupressão e doenças do sistema de glóbulos brancos, e a seção 4.3, cuja única contraindicação formal é hipersensibilidade à substância ativa e a outras plantas da família Asteraceae
  3. European Medicines Agency (HMPC) — Community herbal monograph on Echinacea angustifolia DC., radix (EMA/HMPC/688216/2008): a advertência de uso não recomendado em doenças sistêmicas progressivas com a lista nominal de tuberculose, doenças do sistema de glóbulos brancos, colagenoses, esclerose múltipla, AIDS, infecções por HIV e outras doenças imunes

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 6 de agosto de 2026