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Guia da Saúde

Tintura de guaco: fórmula, dose e o xarope

O Formulário de Fitoterápicos registra duas tinturas de guaco, uma para cada espécie, e as duas usam álcool etílico a 70%. É desse álcool — e não da planta — que vem a lista de contraindicações extras da tintura. E é dessa mesma tintura que nasce o único xarope de guaco com fórmula oficial.

As duas fórmulas registradas

Mikania glomerata (FT050)Mikania laevigata (FT051)
Folha seca10 g10 a 20 g
Álcool etílico a 70%q.s.p. 100 mLq.s.p. 100 mL
Dose1 a 3 mL diluídos em 50 mL de água1,0 a 3,0 mL diluídos em 50 mL de água
Frequência3 vezes ao dia3 vezes ao dia
Embalagemfrasco de vidro âmbarfrasco de vidro âmbar
Xarope derivadonão registradoregistrado

A diferença de concentração é discreta mas real: a fórmula de M. laevigata admite até o dobro de folha no mesmo volume de álcool. É uma inversão curiosa em relação ao chá, onde é M. glomerata que leva cinco vezes mais folha por xícara — a comparação completa está em chá de guaco.

O xarope oficial nasce da tintura

A FT051 é a única das duas com fórmula de xarope, e ela é curta:

  • tintura de guaco a 20% — 10 mL;
  • xarope simples — q.s.p. 100 mL.

O preparo tem instruções específicas: a tintura deve ser RDE 1:5, feita com folhas secas e álcool etílico a 70%; ela é transferida para recipiente adequado, solubilizada com o auxílio da formulação básica de xarope, o volume é completado e a mistura é homogeneizada. O xarope simples entra frio.

A dose é de 15 mL, três vezes ao dia, e essa é a única preparação de guaco em todo o Formulário liberada para uso adulto e pediátrico acima de 12 anos — o que está detalhado em guaco para crianças.

Uma conta que a fórmula permite fazer

Aqui aparece uma tensão interna que vale registrar. A tintura é contraindicada para menores de 18 anos pelo teor alcoólico. O xarope, feito com essa mesma tintura, é liberado a partir dos 12. A pergunta natural é quanto o xarope dilui de fato — e a fórmula deixa fazer a conta:

  • o xarope tem 10 mL de tintura em 100 mL de produto final, ou seja, 10% de tintura;
  • a dose de xarope é de 15 mL, o que corresponde a 1,5 mL de tintura;
  • a dose da tintura pura é de 1 a 3 mL.

Ou seja, a dose de xarope entrega uma quantidade de tintura dentro da mesma faixa da dose da tintura pura — e, como as duas se tomam três vezes ao dia, a carga diária de álcool é da mesma ordem de grandeza. A diluição está no volume que se engole, não na quantidade de extrato alcoólico que se ingere.

Isso não é motivo para ignorar a idade mínima nem para tratar o xarope como equivalente à tintura por conta própria: as duas indicações estão no documento vigente e é ele que vale. É motivo para uma pergunta concreta a quem prescreve, quando o destinatário é um adolescente de 12 anos e a preocupação declarada da monografia é justamente o álcool.

O que apareceu em amostras comerciais

Um trabalho publicado em 2025 pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, da Fiocruz, validou um método para detectar 268 agrotóxicos em tintura de Mikania glomerata por injeção direta e UPLC-MS/MS, seguindo as diretrizes SANTE. Aplicado a amostras comerciais de tintura, o método detectou traços de carbendazim e de dimetomorfe.

Os autores encerram pedindo medidas regulatórias para melhorar as práticas agrícolas e garantir a segurança e a eficácia das plantas medicinais. É um lembrete de que a qualidade da tintura depende de como a folha foi cultivada — e um argumento a favor de comprar de origem rastreável, com nome científico no rótulo.

Por que a tintura tem uma lista de contraindicações maior

A tintura carrega tudo o que o chá carrega — gestação, lactação, hipersensibilidade, proibição com anticoagulante e com anti-inflamatório — e mais dois grupos: alcoolistas e diabéticos. O motivo declarado nas duas monografias é único e é o mesmo: o teor alcoólico da formulação.

Vale acrescentar um dado de composição que só a preparação alcoólica traz. O estudo in vitro de 2019 identificou, no extrato etanólico de folha de M. laevigata, cumarina, ácido o-cumárico, ácidos benzoilgrandiflórico e cinamoilgrandiflórico e quercetina-3-β-glicosídeo — e foi esse extrato que prolongou as provas de coagulação em laboratório. Álcool extrai um conjunto de substâncias que a água não extrai da mesma forma, e a discussão sobre coagulação está em guaco e remédios.

O prazo de uso é o mesmo do chá, 15 dias com intervalo de 5, como está em por quanto tempo tomar guaco, e a lista completa de quem não pode está em quem não pode tomar guaco.

Planta medicinal tem dose, contraindicação e interação — e na tintura a contraindicação vem do veículo, não só da folha. As duas espécies estão comparadas em guaco.

Perguntas frequentes

Dá para fazer a tintura com folha fresca?

As duas monografias mandam seguir as técnicas de secagem do material vegetal descritas nas informações gerais do Formulário antes de preparar a tintura, e a fórmula do xarope especifica folhas secas. Folha fresca carrega água, que dilui o álcool e muda a extração — e as proporções publicadas foram estabelecidas para material seco.

Por que o frasco precisa ser de vidro âmbar?

Porque a embalagem tem de proteger o fitoterápico da contaminação, dos efeitos da luz e da umidade, e o vidro âmbar é o que o Formulário especifica para tintura e xarope nas duas monografias. Não é detalhe estético: é a condição de conservação que o documento exige.

Diabético pode tomar tintura de guaco?

As duas monografias contraindicam a tintura para diabéticos, junto com alcoolistas, gestantes, lactantes e menores de 18 anos, e nomeiam um motivo único para o grupo inteiro: o teor alcoólico da formulação. É uma contraindicação da preparação, não da planta — a mesma folha em chá não carrega essa lista.

Posso pingar a tintura direto na boca?

A instrução das duas monografias é diluir de 1 a 3 mL em 50 mL de água antes de tomar, três vezes ao dia. Tomar puro concentra álcool e extrato na mucosa e sai do modo de usar registrado.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografias FT050 e FT051: a fórmula de tintura de 10 g de folha em 100 mL de álcool etílico a 70% para Mikania glomerata e de 10 a 20 g para Mikania laevigata, a dose de 1 a 3 mL diluídos em 50 mL de água três vezes ao dia, a fórmula do xarope com 10 mL de tintura a 20% em 100 mL de xarope simples, a dose de 15 mL do xarope três vezes ao dia liberada acima de 12 anos, a exigência de frasco de vidro âmbar e a contraindicação da tintura para gestantes, lactantes, alcoolistas, diabéticos e menores de 18 anos
  2. de Brito TM et al. (2025), Journal of Pharmaceutical and Biomedical Analysis 252:116527 — método validado no INCQS/Fiocruz para determinação de 268 agrotóxicos em tintura de Mikania glomerata por injeção direta e UPLC-MS/MS segundo as diretrizes SANTE, e a detecção de traços de carbendazim e dimetomorfe em amostras comerciais analisadas
  3. Leite PM et al. (2019), Journal of Cardiovascular Pharmacology 74(6):574-583 — avaliação in vitro do extrato etanólico de folha de Mikania laevigata: a identificação de cumarina, ácido o-cumárico, ácidos benzoilgrandiflórico e cinamoilgrandiflórico e quercetina-3-β-glicosídeo no extrato alcoólico, e o efeito anticoagulante medido por tempo de protrombina, tempo de tromboplastina e geração de trombina

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026