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Guia da Saúde

Quem não pode tomar guaco: a lista oficial

Guaco é contraindicado na gestação, na lactação, para quem tem hipersensibilidade aos componentes da formulação, para quem usa anticoagulante e para quem está em tratamento com anti-inflamatório não esteroidal. Esta última é rara: quase nenhuma monografia do Formulário proíbe uma classe de analgésico de farmácia.

A lista, como está escrita nas duas monografias

Situações que contraindicam o uso, nas duas espécies:

  • gestação;
  • lactação;
  • hipersensibilidade aos componentes da formulação;
  • tratamento em curso com anti-inflamatórios não esteroidais;
  • uso simultâneo de anticoagulantes.

Só na monografia de Mikania glomerata (FT050):

  • menores de 18 anos, sem exceção de preparação;
  • evitar o uso concomitante com antibióticos, por potencial interação clínica.

Só na preparação em tintura, nas duas espécies:

  • alcoolistas e diabéticos, por causa do teor alcoólico da formulação.

Limites que não são contraindicação, mas são regra:

  • uso adulto — a advertência abre com essa palavra nas duas monografias;
  • não usar por mais de 15 dias consecutivos, com intervalo de 5 dias antes de repetir;
  • não utilizar em doses acima das recomendadas;
  • suspender o uso e procurar um médico diante de qualquer evento adverso.

As duas monografias não fixam a mesma idade

Este é o ponto em que publicar “a” contraindicação do guaco dá errado, porque não existe uma só.

PreparaçãoEspécieFaixa etária no documento
CháM. glomeratauso adulto; contraindicado abaixo de 18 anos
TinturaM. glomeratauso adulto; contraindicado abaixo de 18 anos
CháM. laevigatauso adulto
TinturaM. laevigatauso adulto; contraindicada abaixo de 18 anos pelo teor alcoólico
XaropeM. laevigatauso adulto e pediátrico acima de 12 anos

Repare no desenho: a FT050 fixa 18 anos como regra geral da espécie inteira; a FT051 não escreve essa frase, chama chá e tintura de uso adulto e abre uma única porta pediátrica, a do xarope, a partir dos 12 anos. Nenhuma das duas monografias autoriza guaco para criança pequena em nenhuma forma — o que contraria diretamente o uso mais popular da planta no país. O assunto tem página inteira em guaco para crianças.

O item que quase nenhuma outra planta tem

“Não utilizar em caso de tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais.” A frase está nas duas monografias, com a mesma redação, e ela é incomum: proíbe o uso do guaco durante o tratamento com uma classe de medicamento que muita gente toma por conta própria — o grupo dos anti-inflamatórios que não são corticoides.

Não é uma advertência de “cuidado” nem de “consulte seu médico”: é um não utilizar. E ela convive com a proibição vizinha, a de anticoagulantes, que o Formulário justifica dizendo que as cumarinas podem potencializar esses efeitos e antagonizar a atividade da vitamina K. O detalhamento das quatro interações registradas, e a discussão sobre o que a evidência de fato sustenta, está em guaco e remédios.

A tintura carrega uma lista maior que a do chá

Quem só conhece a lista do chá se surpreende com a da tintura: alcoolistas e diabéticos entram na contraindicação, e o motivo declarado não tem nada a ver com a planta — é o álcool etílico a 70% que forma o extrato. A mesma folha, no mesmo documento, tem contraindicações diferentes conforme o veículo. As fórmulas e a conta do álcool por dose estão em tintura de guaco.

O que não está na lista

Ser preciso vale nos dois sentidos. Não constam das monografias contraindicações por hipertensão, diabetes fora da tintura, doença renal, doença hepática, idade avançada ou uso de anticoncepcional. Ausência de menção, porém, não é liberação avaliada — significa que o documento não tratou do assunto.

Vale lembrar um detalhe institucional na mesma direção: o fitoterápico de guaco distribuído na rede pública exige receita médica dentro do prazo de validade, junto com documento com foto e Cartão Nacional de Saúde. Mesmo sendo planta, mesmo estando no SUS, ele não é de retirada livre — o contexto completo está em guaco: para que serve.

Planta medicinal tem dose, contraindicação e interação, e o guaco tem as três em duas versões diferentes. Quem quer saber o que acontece no corpo quando algo dá errado encontra a lista de reações em guaco: efeitos colaterais, e a proporção correta de folha por xícara em chá de guaco.

Perguntas frequentes

Quem tem asma ou bronquite pode tomar?

Nenhuma das duas condições aparece entre as contraindicações. Também não aparecem entre as indicações: o que está registrado é alívio sintomático de afecção produtiva das vias aéreas superiores, que é sintoma, não diagnóstico. Asma e bronquite têm tratamento próprio, e trocar ou adiar esse tratamento por causa do chá é o risco real aqui.

Quem tem pressão alta precisa evitar?

Hipertensão não consta da lista de contraindicações. Existe um dado que vale conhecer: no ensaio de fase I de 2024, o uso da solução oral de Mikania glomerata foi associado a alteração da pressão arterial diastólica em voluntários saudáveis, ainda que dentro da faixa normal. Quem trata pressão tem motivo concreto para avisar quem acompanha o caso.

Vou operar. Preciso avisar a equipe?

As monografias não trazem advertência específica sobre cirurgia, mas trazem duas frases que a alcançam: proíbem o uso simultâneo com anticoagulantes e registram que em estudos com animais foi observada a ocorrência de quadros hemorrágicos. Diante de procedimento marcado, contar que se está tomando guaco é informação relevante para quem vai operar.

Alérgico a que precisa se preocupar?

As duas monografias escrevem hipersensibilidade aos componentes da formulação, sem estender a contraindicação a uma família botânica inteira, como fazem outras monografias do Formulário. Na prática, quem já reagiu ao guaco antes é quem está coberto por essa frase.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografias FT050 e FT051: a advertência de uso adulto, a contraindicação por hipersensibilidade aos componentes da formulação, a contraindicação na gestação e na lactação, a contraindicação para menores de 18 anos na FT050, a liberação do xarope da FT051 a partir de 12 anos, a lista extra da tintura para alcoolistas e diabéticos, a proibição de uso com anti-inflamatórios não esteroidais e com anticoagulantes, e a orientação de evitar o uso concomitante com antibióticos
  2. Bertol G, Cobre AF, Campos ML, Pontarolo R (2024), Journal of Ethnopharmacology 318(Pt B):117018 — ensaio clínico de fase I randomizado, aberto, cruzado e de doses múltiplas com solução oral das duas espécies em 19 voluntários saudáveis: a alteração da pressão arterial diastólica no grupo da Mikania glomerata e das provas de coagulação no grupo da Mikania laevigata, todas dentro da faixa de normalidade
  3. Ministério da Saúde — Plantas Medicinais e Fitoterápicos: a exigência de receita médica dentro do prazo de validade, documento com foto e Cartão Nacional de Saúde para retirar o fitoterápico de guaco na rede pública, que mostra que mesmo no SUS o produto não é de acesso livre

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026