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Guia da Saúde

Quem não pode tomar melissa: a lista completa

A melissa é contraindicada para gestantes, lactantes e menores de 12 anos, para quem tem hipersensibilidade aos componentes e, num trio que quase nunca aparece nos textos populares, para quem tem hipotireoidismo, glaucoma ou hiperplasia benigna de próstata. A tintura acrescenta mais três grupos.

A lista brasileira, item por item

Contraindicação fechada, em qualquer forma:

  • hipersensibilidade aos componentes da formulação;
  • gestação e lactação — por falta de dados que comprovem a segurança, e não por dano demonstrado, como se detalha em melissa na gravidez;
  • menores de 12 anos, pela mesma razão;
  • hipotireoidismo — a frase é “não deve ser utilizado nos casos de”;
  • glaucoma;
  • hiperplasia benigna de próstata.

Cautela, não proibição:

  • hipotensão arterial — o texto manda “utilizar cuidadosamente”.

Restrições de conduta durante o uso:

  • não dirigir nem operar máquinas. A monografia diz que o fitoterápico pode comprometer essa capacidade e que quem está em uso não deve fazê-lo;
  • não usar em doses acima das recomendadas;
  • reavaliar em duas semanas se o sintoma persistir ou piorar.

Interação registrada:

  • pode aumentar o efeito hipnótico do pentobarbital e do hexobarbital — dois barbitúricos.

A lista europeia tem um item só

Aqui está a divergência que vale conhecer. A seção 4.3 da monografia da EMA, contraindicações, inteira, tem cinco palavras:

“Hypersensitivity to the active substance.”

Nada de tireoide, nada de glaucoma, nada de próstata. E a seção 4.5, de interações, diz “No data available”. Gestação, lactação e menores de 12 anos aparecem lá, mas em outras seções — como “não recomendado por falta de dados”, que é uma formulação mais fraca que “contraindicado”.

Isso não significa que uma das duas agências esteja errada. Significa que elas usaram fontes diferentes. As referências que o Formulário brasileiro cita para essas advertências são obras de farmacologia clínica de plantas — Alonso (1998), Garcia e colaboradores (1999) e o manual de contraindicações e interações de Brinker (2001) —, não a monografia europeia. A Anvisa incorporou um alerta de precaução que o comitê europeu não incorporou.

Na prática, para quem está com o pacote na mão no Brasil, vale a lista brasileira: é ela que rege o fitoterápico manipulado e industrializado no país.

De onde vem a proibição no hipotireoidismo

Esta é a única das três contraindicações “extras” cujo rastro dá para seguir até o dado, e ele está na própria monografia europeia — só que na seção de segurança pré-clínica, não na de contraindicações:

“Data from in vitro and animal studies indicate that the water extract of Melissa officinalis L., folium may inhibit the activity of thyroid stimulating hormone (TSH). The clinical relevance of these findings is not known.”

Traduzindo o que está e o que não está aí: extrato aquoso de melissa inibiu a atividade do TSH, o hormônio que a hipófise usa para comandar a tireoide, em estudo de bancada e em animal. A relevância disso em gente não é conhecida. Não existe estudo mostrando que o chá altera exame de tireoide em humanos — existe um sinal experimental que ninguém foi verificar.

Diante desse sinal, as duas agências fizeram escolhas diferentes: a EMA registrou o achado e não transformou em contraindicação; a Anvisa proibiu. Para quem tem hipotireoidismo em tratamento, a consequência é a mesma nos dois casos — o assunto se conversa com quem ajusta a dose do hormônio.

O que a tintura acrescenta

Tintura e extrato fluido de melissa carregam álcool etílico de 45 a 53% e, por isso, ganham restrições próprias no Formulário. São especialmente contraindicados para:

  • gestantes e lactantes;
  • pessoas com alcoolismo;
  • menores de 18 anos — a idade sobe de 12 para 18 nessas formas;
  • diabéticos.

O motivo declarado é o teor alcoólico, não a planta. Os detalhes da fórmula e da dose estão em tintura de melissa.

E quem não está em nenhuma dessas listas

Vale dizer o outro lado sem exagero: para adulto fora desses grupos, os dois documentos descrevem uma planta com histórico de uso muito longo e nenhum sinal clínico de dano identificado nas condições de uso previstas. As reações registradas e o que apareceu nos poucos ensaios existentes estão em melissa: efeitos colaterais, e a proporção correta do preparo está em chá de melissa.

Planta medicinal tem dose, contraindicação e interação. No caso da melissa, a lista acima é justamente o que a fama de “chazinho inofensivo” costuma deixar de fora — o que a planta é reconhecida para tratar está em melissa: para que serve.

Perguntas frequentes

Quem tem Hashimoto pode tomar chá de melissa?

A tireoidite de Hashimoto costuma cursar com hipotireoidismo, e o Formulário brasileiro diz que a melissa não deve ser utilizada nos casos de hipotireoidismo. Quem tem a doença e usa reposição hormonal está exatamente no cenário em que a advertência foi escrita. A decisão é de quem acompanha o caso e conhece os seus exames, não de um chá.

Melissa corta o efeito do anticoncepcional?

Não há dado nenhum sobre isso. A seção de interações da monografia europeia diz literalmente que não há dados disponíveis, e o Formulário brasileiro só menciona interação com dois barbitúricos. Nem a favor nem contra: a pergunta simplesmente não foi respondida por nenhum dos dois documentos, e afirmar qualquer das duas coisas seria inventar.

Quem tem pressão baixa pode tomar melissa?

Pode, com cautela — a redação da monografia é essa, e não uma proibição. O texto manda utilizar cuidadosamente em pessoas com hipotensão arterial. É diferente do hipotireoidismo, do glaucoma e da hiperplasia de próstata, que aparecem como contraindicação fechada.

Quem toma remédio para dormir pode tomar melissa junto?

É a combinação que os dois documentos desaconselham com mais clareza. O Formulário registra que a melissa pode aumentar o efeito hipnótico do pentobarbital e do hexobarbital, e o relatório europeu observa que a sonolência esperada da planta pode aumentar em combinação com álcool, com outros sedativos ou em doses excessivas. Somar dois depressores sem quem prescreveu saber é o cenário de risco real aqui.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT048, Melissa officinalis L.: a contraindicação por hipersensibilidade, na gestação, na lactação e abaixo de 12 anos, a proibição no hipotireoidismo, no glaucoma e na hiperplasia benigna de próstata, a cautela na hipotensão arterial, a advertência sobre dirigir e operar máquinas e o aumento do efeito hipnótico do pentobarbital e do hexobarbital
  2. European Medicines Agency (HMPC) — Community herbal monograph on Melissa officinalis L., folium (EMA/HMPC/196745/2012): a seção 4.3, que registra uma única contraindicação (hipersensibilidade à substância ativa), a seção 4.5 sobre interações sem dados disponíveis e a seção 5.3, que descreve a possível inibição do hormônio estimulante da tireoide pelo extrato aquoso em estudos in vitro e em animais
  3. European Medicines Agency (HMPC) — Assessment report on Melissa officinalis L., folium (EMA/HMPC/196746/2012): a nota de que os produtos podem causar sonolência e de que esse risco aumenta em combinação com álcool ou outros sedativos ou em doses excessivas, e a ausência de dados de segurança em populações especiais

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026