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Guia da Saúde

Quem não pode tomar salgueiro: 9 contraindicações

A seção de advertências da FT069-01 começa com duas palavras — “Uso adulto” — e segue com uma das listas de contraindicação mais longas do Formulário de Fitoterápicos. São nove itens na monografia europeia, repetidos sem alteração no texto brasileiro, mais uma população que só o Brasil incluiu.

As nove contraindicações, uma a uma

#Não pode tomar quem temOnde está
1hipersensibilidade à própria droga vegetalEMA 4.3 e FT069-01
2hipersensibilidade a salicilatos ou a outros AINEs — com histórico de angioedema, broncoespasmo ou urticária crônicaEMA 4.3 e FT069-01
3asma por sensibilidade a salicilatosEMA 4.3 e FT069-01
4úlcera péptica ativaEMA 4.3 e FT069-01
5gravidez no terceiro trimestre (no Brasil, gestação inteira)EMA 4.3 e FT069-01
6deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenaseEMA 4.3 e FT069-01
7menos de 18 anos, pelo risco de síndrome de ReyeEMA 4.3 e FT069-01
8disfunção hepática ou renal graveEMA 4.3 e FT069-01
9desordens de coagulaçãoEMA 4.3 e FT069-01

O Brasil acrescentou lactantes — a Europa trata a amamentação como “não recomendado”, não como contraindicação, e a diferença está detalhada em salgueiro na gravidez.

E o Brasil fez um segundo ajuste, mais silencioso e mais rigoroso: onde a EMA escreve “disfunção hepática ou renal grave, a FT069-01 escreve “comprometimento renal ou hepático”, sem o qualificador. Quem tem função renal ou hepática alterada, e não apenas gravemente alterada, está dentro da vedação brasileira.

Um item merece nota pelo que não traz: a deficiência de G6PD aparece nas duas monografias sem uma linha de explicação. Nenhum dos dois textos diz por que essa condição hereditária entra na lista, e o relatório de avaliação também não desenvolve. É contraindicação herdada do bloco de cuidados de salicilato, e quem tem o diagnóstico precisa mencioná-lo em qualquer balcão de farmácia — para esse produto e para outros.

A lista maior que está no relatório e não chegou à monografia

O documento de avaliação da EMA vai além das nove linhas. Ao discutir segurança, ele nomeia quem deve estar ciente dos riscos do uso de casca de salgueiro:

  • pessoas com hipersensibilidade conhecida à aspirina;
  • asmáticos;
  • pessoas com ulceração péptica ativa;
  • pessoas com hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos;
  • pessoas com gota.

Hemofilia e gota não aparecem na monografia. E há um refinamento importante sobre asma: o relatório registra que pacientes com asma associada a pólipos nasais ou a urticária crônica têm frequência maior de hipersensibilidade, e recomenda que pacientes atópicos sejam advertidos contra o uso.

Nada disso é preciosismo. O relatório cita um caso publicado de anafilaxia provocada por um suplemento alimentar contendo casca de salgueiro em um paciente com histórico de alergia à aspirina. O que o rótulo do suplemento não dizia, a monografia diz: existe reatividade cruzada considerável entre o ácido acetilsalicílico e outros AINEs, e a única solução satisfatória é evitar a substância e tudo aquilo a que se é cruzadamente sensível.

”Artrite aguda” é advertência, não contraindicação — e por isso é fácil de perder

Na seção 4.4 da monografia europeia há uma frase que não está na lista de proibições e que muita gente precisaria ler: “o produto não se destina a ser usado em caso de artrite aguda, pois essa condição exige avaliação médica”.

Não é contraindicação formal, é advertência de uso. Mas o efeito prático é o mesmo: uma articulação que inchou, aqueceu e doeu de repente não é caso de chá — é caso de descobrir a causa. A indicação registrada da planta é para dor articular leve, um universo bem menor, tratado em salgueiro para dor nas articulações. A anatomia do que está doendo está em articulações do corpo humano.

Quando procurar o serviço de saúde

Suspenda o uso e procure atendimento imediatamente diante de inchaço de lábios, língua ou rosto, falta de ar, chiado no peito, urticária generalizada, vômito com sangue, fezes escuras como piche ou sangramento que não para. Procure avaliação no mesmo dia se houver dor abdominal intensa, zumbido no ouvido ou qualquer sangramento incomum.

E procure orientação antes de começar se você usa medicamento contínuo — a lista de classes que não combinam com o salgueiro está em salgueiro e remédios, e as reações que a fonte registra, com a frequência que ela declara, estão em salgueiro: efeitos colaterais.

Perguntas frequentes

Quem toma AAS de 100 mg por dia pode tomar chá de salgueiro?

Não sem orientação médica. A advertência é expressa: o uso concomitante com salicilatos e outros anti-inflamatórios não esteroidais não é recomendado sem avaliação. Somar duas fontes de salicilato aumenta o risco gástrico e o efeito sobre as plaquetas, e quem usa AAS diário normalmente o usa por um motivo cardiovascular que não deve ser mexido por conta própria.

Tenho gastrite. A contraindicação vale para mim?

A contraindicação formal é para úlcera péptica ativa. Gastrite não está nomeada nas duas monografias, mas o Formulário brasileiro inclui, entre as pessoas para quem o uso não é recomendado, quem tem distúrbios gastrintestinais. Com sintoma gástrico em curso, a decisão é de quem acompanha o caso, não do rótulo.

E quem tem hipertensão ou diabetes?

Nenhuma das duas condições está na lista de contraindicações. O relatório europeu registra que interações teóricas listadas para a aspirina, como com anti-hipertensivos e uricosúricos, foram deliberadamente deixadas de fora da monografia por não estarem documentadas com a casca de salgueiro. Isso não dispensa avisar quem prescreve.

Idoso pode tomar salgueiro?

A posologia da monografia europeia diz literalmente adultos e idosos, sem redução de dose. O que muda na prática é a probabilidade de coincidir com um dos itens da lista — alteração renal, anticoagulante em uso, doença gástrica — e não a idade em si.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT069-01, Salix: a seção ADVERTÊNCIAS com a abertura Uso adulto e a lista de contraindicações por hipersensibilidade a salicilatos e AINEs, angioedema, broncoespasmo, asma, urticária crônica, úlcera péptica, gestação, lactação, deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, menores de 18 anos, comprometimento renal ou hepático e desordens de coagulação
  2. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Salix, cortex (EMA/HMPC/80630/2016): a seção 4.3 com as nove contraindicações idênticas nas colunas de uso bem estabelecido e de uso tradicional, com a qualificação de disfunção hepática ou renal grave, e a advertência da seção 4.4 de que o produto não se destina a casos de artrite aguda porque a condição exige avaliação médica
  3. European Medicines Agency (HMPC) — Assessment report on Salix, cortex (EMA/HMPC/80628/2016), seções 5.5.1 a 5.5.3: a lista ampliada de pessoas que devem estar cientes do risco (hipersensibilidade à aspirina, asma, ulceração péptica ativa, hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos, gota), a maior frequência de hipersensibilidade em quem tem asma com pólipos nasais ou urticária crônica, o alerta para pacientes atópicos e o relato de anafilaxia por suplemento com casca de salgueiro em paciente com histórico de alergia à aspirina

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 6 de agosto de 2026