Quem não pode tomar valeriana: a lista oficial
A valeriana é contraindicada na gestação, na lactação, para menores de 12 anos e para quem tem hipersensibilidade aos componentes da formulação. Além disso, o documento manda suspender o uso 15 dias antes de cirurgias, desaconselha a combinação com álcool e sedativos e avisa que a planta pode comprometer a capacidade de dirigir.
Os quatro grupos que não podem, ponto final
| Quem | O que diz o documento |
|---|---|
| Gestantes | contraindicado, por falta de dados adequados de segurança |
| Lactantes | contraindicado, pelo mesmo motivo |
| Menores de 12 anos | contraindicado no Brasil; “não recomendado” na Europa |
| Hipersensíveis à formulação | contraindicado |
As razões e o estudo que aparece por trás da advertência de gestação estão em valeriana na gravidez; a idade mínima, com a diferença entre as preparações, em valeriana para crianças.
A regra dos 15 dias antes da cirurgia
Este é o item que quase não circula em português, e é o mais concreto da monografia: “o uso deve ser suspenso 15 dias antes de cirurgias”.
O motivo está na frase vizinha. A valeriana potencializa a depressão do sistema nervoso central provocada por barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos — e em modelos animais aumenta o sono induzido por barbitúricos. Um paciente que chega ao centro cirúrgico tomando valeriana há semanas sem contar a ninguém entra numa anestesia com uma variável a mais. Quinze dias é o prazo escrito; avisar a equipe é obrigação de quem usa, mesmo dentro do prazo.
Álcool e calmante: a combinação desaconselhada
A monografia é direta: “a utilização concomitante de valeriana com bebidas alcoólicas ou sedativos sintéticos não é recomendada”. E acrescenta que se deve evitar a coadministração com barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos, “pois pode provocar um aumento dos efeitos terapêuticos desses fármacos e potencializar a depressão do SNC”. O NIH repete a mesma orientação em uma linha: a planta não deve ser tomada junto com álcool ou sedativos.
Há uma consequência prática que costuma passar batido: a tintura de valeriana é, ela própria, uma preparação alcoólica, com 56% a 80% de álcool na fórmula. Quem escolhe a versão em gotas está somando álcool à conta, ainda que em volume pequeno. As quatro fórmulas estão em tintura de valeriana.
Dirigir e operar máquinas
“Este fitoterápico pode comprometer a capacidade de conduzir e utilizar máquinas.” A monografia europeia diz o mesmo nas duas colunas, do uso tradicional ao bem estabelecido: pacientes afetados não devem dirigir nem operar maquinário.
Isso colide de frente com a fama de que a valeriana é “leve por ser natural” e com o uso diurno que a posologia prevê — até três doses ao longo do dia, quando o objetivo é o efeito sedativo leve. É um risco que só existe porque a planta faz alguma coisa.
Onde os dois reguladores discordam
Uma divergência que vale conhecer antes de citar qualquer lista de interações da valeriana como se fosse consenso: a monografia europeia, na seção de interações medicamentosas, registra “nenhuma interação relatada” — nas duas colunas. A brasileira, na mesma planta, lista álcool, sedativos sintéticos, barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos, e ainda impõe os 15 dias pré-cirúrgicos.
Não é contradição de dado: é diferença de critério. “Nenhuma interação relatada” significa que não há relato clínico formal de interação medicamentosa; as advertências brasileiras nascem do mecanismo (depressão do SNC somada) e de fontes de farmacovigilância que a Anvisa cita. Para quem vai usar, a conduta prudente é a mais restritiva das duas — que é a brasileira.
O que sobrou de uma preparação que o Brasil não registra
A monografia brasileira traz uma frase que parece deslocada: “o uso externo é contraindicado em caso de lesões na pele, especialmente profundas e de grande extensão, afecções cutâneas, febre, infecções severas, distúrbios circulatórios ou insuficiência cardíaca” — mas nenhuma das oito fórmulas brasileiras é de uso externo.
A explicação está no documento europeu, que registra a raiz rasurada como aditivo de banho, 100 g para um banho completo. É dessa preparação que vem a lista. Ou seja, a advertência é real e foi importada junto com o resto, embora a forma farmacêutica correspondente não exista aqui.
Os efeitos que aparecem com uso prolongado e a janela de tempo em que a planta deve ser reavaliada estão em por quanto tempo tomar valeriana. A dose e o preparo corretos, em chá de valeriana.
Perguntas frequentes
Quem toma remédio para dormir pode acrescentar valeriana?
A monografia orienta evitar a coadministração com benzodiazepínicos, barbitúricos e anestésicos, porque a valeriana pode aumentar o efeito desses fármacos e potencializar a depressão do sistema nervoso central. E há a regra que vale sempre: remédio prescrito não se troca nem se suspende por conta própria para dar lugar a um chá — essa decisão é de quem prescreveu.
Quem tem pressão alta pode tomar valeriana?
Hipertensão não consta como contraindicação em nenhum dos dois documentos. O que consta é que o uso por longos períodos pode cursar com desordens cardíacas, e que o banho medicinal é contraindicado em insuficiência cardíaca e em distúrbios circulatórios graves. Quem usa anti-hipertensivo deve falar com quem prescreveu antes de somar qualquer planta.
Valeriana pode ser tomada com antidepressivo?
Antidepressivos não aparecem na lista de coadministração a evitar, que cita barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos. Ausência na lista não é liberação: o NIH orienta explicitamente conversar com o profissional de saúde antes de usar a planta, porque ervas e medicamentos podem interagir de modo prejudicial.
Quem tem alergia a alguma planta deve evitar valeriana?
A contraindicação registrada é hipersensibilidade aos componentes da formulação — não a uma família botânica inteira, como acontece com a camomila e as Asteraceae. Quem já teve reação a um produto com valeriana não deve repetir, e quem usa tintura precisa considerar também o álcool da fórmula.
Valeriana pode causar dependência?
A monografia registra que o uso em altas dosagens por longos períodos aumenta a possibilidade de síndrome de abstinência com a retirada abrupta do produto. O NIH descreve o mesmo quadro: ansiedade, irritabilidade, alterações cardíacas, insônia e, em casos raros, alucinações após interrupção súbita de uso crônico.
Fontes
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT082, Valeriana officinalis L.: a contraindicação por hipersensibilidade, na gestação, na lactação e para menores de 12 anos; a não recomendação de uso com bebidas alcoólicas e sedativos sintéticos; a orientação de evitar a coadministração com barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos; a suspensão 15 dias antes de cirurgias; a advertência sobre dirigir e operar máquinas; e as contraindicações de uso externo
- European Medicines Agency (HMPC) — monografia da União Europeia sobre Valeriana officinalis L., radix (EMA/HMPC/150848/2015): a seção 4.5, que registra 'nenhuma interação relatada' nas duas colunas; a seção 4.7, segundo a qual a planta pode prejudicar a capacidade de dirigir e operar máquinas; e as contraindicações do banho completo em feridas abertas, lesões extensas, doenças de pele agudas, febre alta, infecções graves, distúrbios circulatórios graves e insuficiência cardíaca
- NCCIH / National Institutes of Health — Valerian: a orientação de não tomar valeriana junto com álcool ou sedativos e de conversar com o profissional de saúde antes de usar, porque ervas e medicamentos podem interagir de modo prejudicial
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026