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Guia da Saúde

Tintura de valeriana: 4 fórmulas, doses diferentes

O Formulário registra quatro tinturas de valeriana, não uma. Elas mudam de proporção e de teor alcoólico, e as doses vão de 0,84 mL a 10 mL — uma diferença de cerca de doze vezes entre a menor e a maior. Todas são de uso adulto e todas se tomam diluídas em 50 mL de água.

As quatro tinturas lado a lado

Fórmula 2Fórmula 3Fórmula 4Fórmula 5
Raiz10 g20 g20 g10 g
Solventeálcool 56%álcool 70%álcool 60 a 80%álcool 60%
Volume final100 mL100 mL100 mL80 mL
Proporção1:101:51:51:8
Sedativo leve0,84 mL, 3 a 5 vezes ao dia1,5 mL, até 3 vezes ao dia10 mL, até 3 vezes ao dia4 a 8 mL, até 3 vezes ao dia
Para dormir0,84 mL, meia hora antes3 mL, meia hora antes

Duas leituras saltam da tabela. A primeira: a fórmula 2 é a única com frequência de até cinco vezes ao dia — todas as outras param em três. A segunda: fórmulas 3 e 4 têm exatamente a mesma proporção de raiz, 1:5, e doses que diferem por quase sete vezes. O que muda entre elas é a faixa de álcool do solvente, e o documento trata isso como razão suficiente para duas posologias distintas.

É a demonstração mais limpa de por que “tomar tantos mililitros de tintura de valeriana” não significa nada sem dizer qual tintura — e por que copiar a dose de um frasco para outro é um erro com fator de dez.

A única fórmula que muda de dose conforme o objetivo

Repare na coluna da fórmula 3. Ela é a única das oito preparações da valeriana em que a mesma preparação tem duas doses diferentes conforme a finalidade:

  • 1,5 mL como sedativo leve, até três vezes ao dia;
  • 3 mL para indução do sono, meia hora antes de deitar.

O dobro. Em todas as outras fórmulas, a quantidade é a mesma e o que muda é o horário — a fórmula 2 usa 0,84 mL nos dois casos, e o chá usa 150 mL nos dois. A distinção entre as duas finalidades e o que cada uma sustenta está em valeriana para ansiedade e em valeriana para insônia.

Por que três delas pedem conservante

Uma instrução do documento que quase ninguém reproduz: “em razão do baixo teor alcoólico da formulação 2, 4 e 5, é recomendada a utilização de conservantes”. A mesma recomendação vale para o extrato fluido, a fórmula 6.

Tintura de baixo teor alcoólico está na faixa em que o próprio solvente já não garante a conservação do produto. Junte a isso o acondicionamento obrigatório em frasco de vidro âmbar — que barra parte da luz e não reage com a preparação — e fica claro que se trata de uma forma farmacêutica com exigência de estabilidade, não de um vidro de conserva no armário. É o argumento mais concreto contra a versão caseira.

O extrato fluido é outra coisa

A fórmula 6 costuma ser confundida com as tinturas e não é: 100 g de raiz para 100 mL de solvente, álcool a 60%, proporção 1:1. Isso dá 1 g de raiz por mililitro, contra 0,1 a 0,2 g nas tinturas — de cinco a dez vezes mais concentrado. Por isso a dose despenca para 0,3 a 1,0 mL, até três vezes ao dia, também diluída em 50 mL de água.

Uma colher de chá de extrato fluido tomada como se fosse tintura é a receita de ultrapassar a faixa registrada por várias vezes. Vale lembrar o teto que a monografia coloca do outro lado: cerca de 20 g de raiz ao dia já produziram fadiga, cólica abdominal, dor precordial, vertigem, tremor nas mãos e midríase.

Todas de uso adulto

As fórmulas 2 a 6 trazem, na advertência, apenas “uso adulto” — enquanto o infuso e as duas cápsulas são de “uso adulto e pediátrico acima de 12 anos”. O álcool da formulação é a diferença material, e ele também explica por que essas preparações ficam fora da gestação e da amamentação, como detalha valeriana na gravidez.

Na Europa, essa preocupação virou obrigação de rótulo: tinturas e extratos com etanol precisam trazer a rotulagem específica prevista na diretriz de excipientes. Quem prefere a preparação sem álcool encontra a proporção e a técnica em chá de valeriana, e a lista de restrições em quem não pode tomar valeriana.

Perguntas frequentes

Quantas gotas de tintura de valeriana devo tomar?

Nenhum dos dois documentos publica a dose em gotas: as posologias vêm em mililitros, e o tamanho da gota varia com o conta-gotas, a viscosidade e o teor alcoólico. Converter mL em gotas de cabeça é justamente onde a dose se perde, e com quatro fórmulas diferentes em jogo o erro se multiplica.

Por que a tintura tem de ser diluída em 50 mL de água?

É o que a posologia especifica em todas as fórmulas, sem exceção: a dose vai diluída em 50 mL de água. A diluição padroniza o volume ingerido e evita o contato direto de uma solução com 56% a 80% de álcool com a mucosa. Não é sugestão de sabor — faz parte do modo de usar registrado.

Dá para fazer tintura de valeriana em casa com cachaça?

As fórmulas especificam álcool etílico em concentração definida, raiz seca segundo a técnica do próprio documento e, em três das quatro, conservante. Trocar o solvente muda a graduação, o que é extraído e a estabilidade — e, mudado isso, as doses de 0,84 mL a 10 mL deixam de corresponder ao que foi registrado.

A tintura de valeriana pode ser usada por adolescente?

Não. As fórmulas 2 a 6 são de uso adulto, ao contrário do chá e das duas cápsulas, que são de uso adulto e pediátrico acima de 12 anos. É um dos poucos casos do Formulário em que a mesma planta, pela mesma via oral, tem faixas etárias diferentes conforme a forma farmacêutica.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT082, Valeriana officinalis L.: as fórmulas 2 a 5 de tintura (10 g com álcool 56%; 20 g com álcool 70%; 20 g com álcool 60 a 80%; 10 g com álcool 60% para 80 mL), a fórmula 6 de extrato fluido 1:1 com álcool a 60%, a recomendação de conservante nas fórmulas 2, 4, 5 e 6, o acondicionamento em frasco de vidro âmbar, a advertência de uso adulto e as posologias de 0,84 mL, 1,5 mL, 3 mL, 10 mL, 4 a 8 mL e 0,3 a 1,0 mL diluídos em 50 mL de água
  2. European Medicines Agency (HMPC) — monografia da União Europeia sobre Valeriana officinalis L., radix (EMA/HMPC/150848/2015): as quatro tinturas de uso tradicional nas razões 1:5, 1:8 e 1:10, com as mesmas doses únicas de 0,84 mL, 1,5 mL, 3 mL, 4 a 8 mL e 10 mL; o extrato fluido 1:1 com etanol a 60% e dose de 0,3 a 1,0 mL; e a exigência de rotulagem específica para etanol em tinturas e extratos alcoólicos

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026