Chá de passiflora: 1 a 2 g em 150 mL e até 4 doses
A dose registrada é de 1 a 2 g de parte aérea seca e rasurada em 150 mL de água, preparada por infusão de 5 a 10 minutos. Toma-se 150 mL do infuso até quatro vezes ao dia. Se o sintoma não melhorar em duas semanas, ou piorar antes disso, o documento manda procurar um médico.
Passo a passo
- Pese a parte aérea. De 1 a 2 g por xícara de 150 mL — folha, caule, gavinha e flor secas e rasuradas, ou seja, picadas em pedaços pequenos, não em pó.
- Ferva a água e desligue o fogo. A infusão começa com a água fora do fogo.
- Despeje sobre a erva e tampe — o abafado segura o óleo essencial, que aqui existe só em traços mas some rápido.
- Espere de 5 a 10 minutos e coe.
- Tome os 150 mL inteiros. A dose é a xícara, não o gole.
Parte aérea rasurada é leve e volumosa: 1 a 2 g ocupam bem mais espaço na colher do que o mesmo peso de raiz. Para converter sem errar por um fator de dois, veja xícara de chá em gramas e mL e colher de chá em gramas. Uma balança de cozinha resolve melhor.
Três documentos, três doses de chá
Este é o ponto em que a passiflora se separa das outras calmantes: as três autoridades não escrevem a mesma dose de infuso, e a diferença é grande o bastante para importar.
| Documento | Dose do infuso | Frequência | Teto diário implícito |
|---|---|---|---|
| Anvisa, FT056 | 1 a 2 g em 150 mL | até 4 vezes ao dia | 8 g |
| EMA, uso tradicional | 1 a 2 g em 150 mL | 1 a 4 vezes ao dia | 8 g |
| OMS, 2007 | 2,5 g em infusão | 3 a 4 vezes ao dia | 10 g |
A monografia brasileira é cópia fiel da europeia — mesma quantidade, mesmo volume, mesma frequência. A da OMS, escrita sete anos antes, parte de 2,5 g por dose e não admite menos de três doses ao dia. Entre o piso brasileiro (1 g uma vez) e o teto da OMS (2,5 g quatro vezes) há uma diferença de dez vezes na quantidade diária de erva.
Na prática, a dose a seguir é a do documento vigente no país onde o produto foi dispensado — no Brasil, a da Anvisa. Mas saber que a faixa existe explica por que dois rótulos honestos podem trazer números diferentes, e por que “uma colher de passiflora” não descreve nada.
O único ensaio clínico já feito com o chá
Quase toda a pesquisa de passiflora foi feita com extrato seco ou com extrato líquido em gotas. Há um ensaio controlado feito com o chá de verdade, publicado em 2011 (PMID 21294203), e vale conhecer o preparo dele porque é o único protocolo de chá que já passou por um desenho duplo-cego:
- sachês com 2 g de folha, caule, semente e flor secas;
- 250 mL de água fervente — uma xícara maior que os 150 mL da monografia;
- 10 minutos de infusão, o topo da faixa oficial;
- uma xícara uma hora antes de deitar, durante sete dias;
- placebo: sachês com 2 g de salsa desidratada, escolhida por parecer chá e não ser passiflora.
Os 41 voluntários passaram por ambos os tratamentos, com uma semana de intervalo entre eles. O que o estudo encontrou — e o que ele não encontrou — está detalhado em passiflora para insônia.
Até quatro vezes ao dia é a maior frequência do grupo
Entre as plantas calmantes com monografia, a passiflora é a que autoriza mais doses num mesmo dia. O chá de melissa para até três; o infuso de valeriana, três mais a dose noturna. A passiflora vai a quatro, e a monografia europeia registra a mesma frequência.
Isso não é convite a somar. A frase que a Anvisa coloca ao lado é seca — “não utilizar em doses acima das recomendadas” — e vem acompanhada de outra, mais incomum: “não utilizar cronicamente”. Ou seja, a planta admite quatro xícaras hoje e não admite quatro xícaras todo dia, indefinidamente. As duas semanas são o prazo de reavaliação, não a licença de uso.
Antes de começar, confira a lista de quem não pode tomar passiflora. As versões com álcool, com dose em mililitros e faixa etária diferente, estão em tintura de passiflora, e o que a monografia inteira registra sobre a espécie, em passiflora.
Perguntas frequentes
Chá de passiflora dá sono na hora?
Os documentos não prometem isso. A monografia europeia diz que a preparação pode prejudicar a capacidade de dirigir e operar máquinas, o que indica algum efeito sedativo, e a brasileira desaconselha dirigir durante o uso. Mas nenhuma publica tempo de início de efeito para o infuso, e o único ensaio feito com o chá mediu benefício depois de uma semana de uso, não numa noite isolada.
Posso usar folha do pé de maracujá do quintal?
As fórmulas pedem parte aérea de Passiflora incarnata seca e rasurada, com no mínimo 1,5% de flavonoides totais expressos em vitexina pela Farmacopeia Europeia, e a monografia da OMS ainda fixa um teto de 0,01% de alcaloides harmânicos. O pé do quintal costuma ser outra espécie do gênero, e nada disso é verificável em casa.
O chá de passiflora tem álcool?
Não. O infuso é a única das quatro fórmulas do Formulário preparada só com água, e é por isso que ele e a cápsula atendem a partir dos 12 anos enquanto a tintura e o extrato fluido são de uso adulto. Quem procura a preparação sem álcool está no lugar certo.
Dá para guardar o chá pronto na geladeira?
A monografia trata do infuso preparado na hora e não autoriza conservar. Nas formas que ela admite guardar, a exigência é explícita: frasco de vidro âmbar e, nas de baixo teor alcoólico, uso de conservantes. O infuso não tem nem uma coisa nem outra, o que dá a medida da preocupação com estabilidade.
Fontes
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026) — monografia FT056, Passiflora incarnata L.: a fórmula 1 (parte aérea 1 a 2 g e água q.s.p. 150 mL), a instrução de preparar por infusão durante 5 a 10 minutos utilizando as partes aéreas secas e rasuradas, a posologia de 150 mL do infuso até quatro vezes ao dia, a advertência de uso adulto e pediátrico acima de 12 anos e o prazo de duas semanas para reavaliação
- European Medicines Agency (HMPC) — Community herbal monograph on Passiflora incarnata L., herba (EMA/HMPC/669740/2013): o chá como preparação de uso tradicional com dose única de 1 a 2 g da droga rasurada em 150 mL de água fervente, de uma a quatro vezes ao dia; a dose distinta de 0,5 a 2 g para a droga em pó; e o prazo de consulta médica se os sintomas persistirem por mais de duas semanas
- WHO monographs on selected medicinal plants, volume 3 (Organização Mundial da Saúde, 2007) — monografia Herba Passiflorae: a posologia diária para adultos como sedativo, com 0,5 a 2,0 g de partes aéreas de três a quatro vezes, 2,5 g de partes aéreas em infusão de três a quatro vezes e 1,0 a 4,0 mL de tintura 1:8 de três a quatro vezes ao dia
- European Medicines Agency (HMPC) — Assessment report on Passiflora incarnata L., herba (EMA/HMPC/669738/2013): a descrição do protocolo do ensaio de Ngan e Conduit, com sachês de 2 g de folha, caule, semente e flor secas em 250 mL de água fervente por 10 minutos, uma xícara uma hora antes de deitar durante sete dias, e sachês de placebo contendo 2 g de salsa desidratada
- Ngan A, Conduit R. A double-blind, placebo-controlled investigation of the effects of Passiflora incarnata (passionflower) herbal tea on subjective sleep quality. Phytotherapy Research, v. 25, n. 8, p. 1153-1159, 2011 (PMID 21294203) — o único ensaio clínico controlado feito com o chá: sachês com 2 g de folha, caule, semente e flor secas em 250 mL de água fervente por 10 minutos, uma xícara uma hora antes de deitar durante sete dias, contra sachês de placebo com 2 g de salsa desidratada
Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 3 de agosto de 2026