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Guia da Saúde

Intoxicação por planta: o que fazer nos primeiros minutos

Ligue 0800-722-6001. É o Disque-Intoxicação da Anvisa, gratuito, 24 horas por dia, sete dias por semana, no país inteiro. A chamada é transferida automaticamente para o centro toxicológico mais próximo de onde você está. Guarde a planta — folha, flor, fruto, um galho inteiro se possível. Só depois disso pense em deslocamento.

A rede que atende do outro lado da linha

Não é um call center genérico. O 0800 conecta à Renaciat, a Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica, criada em 2005 pela RDC nº 19 e coordenada pela Anvisa. Ela é formada por 36 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATs) distribuídos por 19 estados, instalados em hospitais universitários, secretarias estaduais e municipais de saúde e fundações.

Os 36 centros estão preparados para receber ligações de longa distância 24 horas por dia, sete dias por semana, o ano inteiro. Eles atendem tanto a população quanto o profissional de saúde — inclusive orientando primeiros socorros e a conduta terapêutica adequada a cada tipo de substância. Nem todos os estados têm centro próprio: Amapá, Acre, Maranhão e Tocantins ainda estavam em processo de abertura na última atualização da Anvisa.

Um detalhe que explica onde você já viu esse número: pela regra da Agência, o 0800 deve ser informado em rótulos e bulas dos produtos regulados por ela. Se o produto que causou o problema é regularizado, o telefone está impresso nele.

Telefones diretos por estado

Alguns estados mantêm número próprio, mais rápido que o roteamento nacional:

EstadoCentroEmergência
BahiaCIATox/BA0800-284-4343
Distrito FederalCIATox/DF0800-644-6774
Espírito SantoCIATox/ES0800-83-9904
GoiásCIATox de Goiás0800-646-4350
CearáCIATox/CE(85) 3255-5050
Minas GeraisCIATox/MG(31) 3224-4000
Demais estadosrede Renaciat0800-722-6001

Vale salvar o número do seu estado no celular antes de precisar. A lista completa e atualizada está na página de CIATox do Ministério da Saúde, citada nas fontes.

O que informar na ligação

Quanto mais preciso o relato, mais rápida a conduta. Tenha em mãos:

  1. Quem — idade e peso aproximado, se é criança, gestante, lactante, se tem doença crônica.
  2. O quê — nome da planta se souber, ou a descrição do que está na sua mão; se foi chá, cápsula, tintura, folha crua ou contato com látex.
  3. Quanto — quantas folhas, quantos gramas, quantas xícaras, qual volume.
  4. Quando — o horário da ingestão ou do contato. É a informação que mais muda a conduta.
  5. O que já aconteceu — vômito, salivação, queimação na boca, sonolência, tontura, palpitação, alteração da visão, convulsão.
  6. O que mais a pessoa usa — medicamentos contínuos, outros chás, álcool.

O que fazer enquanto o atendimento não começa

  • Retire o resto do material da boca, sem forçar, e lave a boca com água.
  • Em contato com pele ou olhos, lave com água corrente em abundância. Várias plantas de látex, como o avelós, provocam lesão de córnea.
  • Guarde tudo: a planta, a embalagem, o resto do chá, a cápsula.
  • Não ofereça leite, sal, vinagre, clara de ovo ou “antídoto caseiro” por conta própria. A orientação de primeiros socorros vem do centro toxicológico, que conhece a substância; medida improvisada pode piorar o quadro ou atrapalhar a avaliação.
  • Não espere melhorar sozinho se a pessoa é criança pequena ou se a planta não foi identificada.

O material do Ministério da Saúde é direto quanto à identificação: “Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação”. E lembra que não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas — e que nem sempre o cozimento elimina a toxicidade.

Quando é reação a fitoterápico, e não acidente

Se o episódio veio de um chá ou cápsula usado de propósito, vale a instrução que aparece em 82 das 85 monografias do Formulário de Fitoterápicos: “Em caso de aparecimento de eventos adversos, suspender o uso do produto e consultar um médico”. Suspender é a primeira medida — não reduzir a dose para testar.

Três quadros exigem atenção especial porque têm sinal de alarme próprio:

  • Fígado — amarelamento da pele ou dos olhos, urina escura, cansaço anormal, perda de apetite, dor abdominal. O detalhamento está em chá faz mal ao fígado?.
  • Rim e vias urinárias — sangue na urina, dor ao urinar, febre com dor lombar, queda do volume urinário. Está em chá faz mal ao rim?.
  • Alergia grave — falta de ar, chiado, inchaço de lábios e língua. É a reação adversa mais comum das plantas medicinais, como mostra planta medicinal tem efeito colateral.

Um caso brasileiro em que o chá é o próprio agente do risco está em perigo do chá de arruda. A lista federal das espécies proibidas em fitoterápico e as plantas domésticas mais associadas a acidente estão em plantas tóxicas mais comuns.

Prevenção que muda a estatística

As intoxicações por planta ocorrem principalmente em crianças menores de 5 anos. Três medidas resolvem a maior parte:

  • conhecer, pelo nome, as plantas que existem na sua casa e no quintal;
  • manter fora do alcance as que têm risco conhecido;
  • ensinar a criança a não usar planta como brinquedo — “fazer comidinha”, “tirar leite” do caule — que é como a exposição costuma começar.

Quando procurar serviço de saúde

Vá ao pronto-socorro imediatamente, sem esperar orientação por telefone, se houver: perda de consciência, convulsão, dificuldade para respirar, engasgo, inchaço de garganta, batimentos muito rápidos ou muito lentos, ou se a pessoa intoxicada for bebê. Nos demais casos, ligue para o centro toxicológico primeiro — ele dirá se o deslocamento é necessário e para onde.

Leve a planta, a embalagem e o resto do preparo. Em qualquer dúvida, o número nacional é 0800-722-6001.

Perguntas frequentes

Preciso esperar aparecer sintoma para ligar?

Não. O centro toxicológico atende dúvida, não só emergência instalada. Em ingestão de planta não identificada por criança, ligar antes do sintoma é o melhor uso do serviço: o profissional avalia se aquela espécie exige conduta imediata ou apenas observação, e isso evita tanto a demora quanto o pronto-socorro desnecessário.

Levar a planta ajuda mesmo ou é exagero?

É determinante. A cartilha do Ministério da Saúde manda guardar a planta para identificação, e o motivo é prático: espécies parecidas têm toxicidades muito diferentes, e a conduta muda conforme o gênero. Um galho com folha, flor e fruto vale mais que qualquer descrição feita de memória.

E se a intoxicação foi por chá que eu mesmo preparei?

Guarde a erva usada, a embalagem e o que sobrou da infusão. Anote a quantidade de planta, o volume de água, quantas xícaras foram tomadas e há quanto tempo. Dose e tempo desde a ingestão são as duas informações que mais mudam a conduta, e são as que ninguém pensa em registrar.

Meu estado tem um telefone próprio?

Alguns têm. Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo e Goiás mantêm 0800 estaduais próprios, e Ceará e Minas Gerais atendem por telefone fixo do centro. Nos demais estados a ligação para o 0800 nacional é transferida para o centro mais próximo da região de onde a chamada foi originada.

Fontes

  1. Anvisa — Disque-Intoxicação: o número nacional 0800-722-6001, a Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat) criada em 2005 pela RDC nº 19, os 36 centros em 19 estados, o funcionamento 24 horas por dia sete dias por semana e a obrigação de informar o número em rótulos e bulas dos produtos regulados
  2. Ministério da Saúde — Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox): a relação por estado dos centros e seus telefones de emergência, incluindo os estados com número 0800 próprio distinto do nacional
  3. Ministério da Saúde — Série Prevenindo Intoxicações: Plantas Tóxicas: a orientação de procurar imediatamente orientação médica e guardar a planta para identificação, e o registro de que as intoxicações por planta ocorrem principalmente em crianças menores de 5 anos
  4. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026): a instrução, repetida em 82 das 85 monografias, de suspender o uso do produto e consultar um médico em caso de aparecimento de eventos adversos

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 4 de agosto de 2026