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Guia da Saúde

Quanto tempo deixar o chá em infusão: de 5 a 20 minutos

Entre 5 e 20 minutos, conforme a espécie. Cinco minutos é o tempo mais repetido no Formulário de Fitoterápicos da Anvisa; vinte minutos, na folha de boldo-brasileiro, é o mais longo. Não existe um tempo geral de infusão — existe o tempo da monografia da planta que está na sua xícara.

A distribuição real dos tempos

Levantando todas as orientações de preparo por infusão do Formulário que declaram tempo, o quadro é este:

Tempo de infusãoQuantas fórmulasExemplos
5 minutos11Sabugueiro-do-brasil, gengibre, chambá, romã
5 a 10 minutos8Camomila, melissa, hortelã-pimenta, capim-limão, passiflora
10 a 15 minutos8Mil-folhas, canela, cúrcuma, valeriana, cardo-mariano
10 minutos6Alcachofra, boldo-do-chile, arnica
15 minutos3Funcho, erva-doce
5 a 15 minutos1Cavalinha
15 a 20 minutos1Folha de pitangueira
20 minutos1Boldo-brasileiro

Duas coisas saltam. A primeira: a metade das fórmulas fica em 10 minutos ou menos. A segunda: os tempos longos concentram-se em drogas rígidas ou coriáceas — casca de canela, rizoma de cúrcuma, raiz de valeriana —, que são justamente as que a definição de infusão não previa. O motivo está em como fazer infusão, e os casos em chá de camomila, chá de canela e chá de boldo-brasileiro.

As 16 fórmulas que não dizem quanto tempo

Este é o achado incômodo. Das 56 orientações de preparo por infusão do Formulário, 16 não trazem tempo nenhum — a redação é apenas “preparar por infusão, considerando a proporção indicada na fórmula”. Entre elas estão espécies muito populares:

  • alecrim — “Fórmula 1: preparar por infusão, considerando a proporção indicada na fórmula”;
  • calêndula, erva-doce na fórmula 2, quebra-pedra, dente-de-leão, raiz de bardana, anis, tanchagem, folha de oliveira.

A mais lacônica de todas é a do cardo-mariano em uma das rodadas de redação: “Fórmula 1: preparar por infusão”. Quem prepara essas espécies fica com gramatura e volume definidos e sem o terceiro parâmetro, e o documento não oferece um tempo padrão de recurso. Os desdobramentos estão em chá de alecrim, chá de calêndula e chá de erva-doce.

Há também o oposto: uma única monografia escreve o tempo como mínimo, e não como intervalo. É a da raiz de equinácea, que manda preparar “por decocção, durante 10 minutos, ou por infusão, durante pelo menos 10 minutos”.

O segundo relógio: quando tomar

Esta é a confusão mais comum de leitura das monografias. Boa parte delas traz duas marcações de tempo diferentes, em seções diferentes:

Onde estáO que significa
Orientações para o preparoQuanto tempo a planta fica na água
Modo de usarQuanto tempo depois de pronto se deve tomar

Na monografia de mil-folhas, por exemplo, o preparo é por infusão de 10 a 15 minutos, e o modo de usar manda tomar 250 mL do infuso 10 minutos após o preparo, trinta minutos antes das refeições. Não são o mesmo relógio: o primeiro cronometra a extração, o segundo diz respeito ao momento de ingerir — em geral porque o líquido precisa deixar de estar fervente.

Dezesseis posologias do documento usam a fórmula mais direta disso: “logo após o preparo”. E a monografia do salgueiro, na decocção, especifica “recentemente preparado e ainda morno”. O que acontece quando esse segundo relógio estoura está em quanto tempo dura o chá pronto.

Tempo não é botão de dose

Vale dizer o que o tempo não faz, porque é o erro prático mais comum. Se você tem menos erva do que a fórmula pede, deixar em infusão o dobro do tempo não repõe a diferença. Extração não é linear: os componentes voláteis, que a definição de infusão tenta preservar mandando tampar, se perdem no vapor enquanto o preparo espera; os taninos, que dão adstringência, continuam saindo.

O resultado de esticar o tempo costuma ser um chá mais amargo com dose incerta — e dose incerta é exatamente o que a fórmula existe para evitar. O parâmetro correto para ajustar é a massa, tratada em quantos gramas de erva por xícara.

E o tempo que não é de infusão

Duas marcações de tempo do Formulário parecem tempo de infusão e não são. A da espinheira-santa manda “ferver por 5 minutos e deixar arrefecer em contato com a água durante 15 minutos” — o segundo trecho é repouso de decocção, não infusão. E a do funcho manda “tampar o recipiente durante 15 minutos”, o que é o mesmo relógio da infusão dito por outro verbo. As duas técnicas estão separadas em como fazer decocção.

Nenhum ajuste de cronômetro muda quem pode ou não tomar a planta: idade mínima, gestação, amamentação e interação com medicamento estão na monografia da espécie. Sintoma que não melhora dentro do prazo indicado ali — em 13 advertências do documento, duas semanas — é motivo para procurar serviço de saúde.

Perguntas frequentes

Deixar mais tempo deixa o chá mais forte?

Extrai mais de algumas substâncias e menos de outras, porque os voláteis se perdem no vapor enquanto os taninos continuam saindo. O resultado prático costuma ser mais amargor e mais adstringência, não uma dose proporcionalmente maior. E não é assim que a fórmula prevê ajustar a dose.

E se eu esquecer o chá infundindo a noite toda?

Deixar a droga vegetal em contato por horas deixa de ser infusão e vira, na prática, maceração — com outro perfil de extração e sem tempo definido por monografia nenhuma. Some-se a isso o líquido morno parado, e o preparado deixou de corresponder ao que a fórmula descreve.

Tirar o sachê antes muda a dose?

Muda, porque encurta a extração. Se a monografia da espécie fixa 10 minutos e você retira aos 3, tomou uma fração indeterminada da dose prevista. O tempo é parâmetro da fórmula, no mesmo nível da gramatura.

Por que a monografia europeia da hortelã não traz tempo?

Porque ela remete a orientação de preparo a um documento separado do comitê, o glossário de chás medicinais. A monografia fixa massa, volume e frequência; o procedimento fica no glossário. É outra arquitetura de documento, não uma omissão.

Fontes

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (Anvisa, 2026): os tempos de infusão declarados nas orientações de preparo das 85 monografias, de 5 minutos, o valor mais frequente, a 20 minutos na folha de boldo-brasileiro, as 16 orientações de infusão que não declaram tempo algum, a instrução de pelo menos 10 minutos da raiz de equinácea e as posologias que marcam o momento de tomar em minutos após o preparo
  2. European Medicines Agency (HMPC) — European Union herbal monograph on Mentha x piperita L., folium, Revision 1 (EMA/HMPC/572705/2014): a posologia por chá que fixa massa, volume e frequência sem declarar tempo de infusão, remetendo ao glossário de chás medicinais do comitê para a orientação de preparo

Escrito por Lucas Silva · Revisado por Lucas Silva · Atualizado em 4 de agosto de 2026